quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Eita 21 de dezembro

Acordei e já pensei, antes mesmo de colocar os pés no chão: 13 anos sem a companhia da minha amada amigairmã Vanessa. No dia 21 de dezembro de 1998 acordei com um telefonema do pai dela, que me disse assim: não, Lu, não está tudo bem, a Vã morreu. Coloquei o filme da nossa amizade para rodar, eu sozinha no meu cineminha particular, coração voando para a minha adolescência, quando toca o telefone: meu pai, tão cedo assim? É, ele e minha mãe não dormiram muito bem, ou nada bem, ele me disse. Seis rapazes armados invadiram a casa onde eles moram há mais de 30 anos, onde eu e meus irmãos crescemos na paz. Meu coração voltou, o filme acabou e eu fiquei assim, assim...triste? É, triste também.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A dona do cachorrinho e os donos da verdade

Passei o final de semana pensando na mulher que espancou o cachorrinho de estimação até a morte na frente da filha. Não, eu não vi o vídeo, mas pelo relato das pessoas, parece que foi isso o que aconteceu. Não quis ver a filmagem para preservar meu coração e meu estômago que não andam lá muito fortes. É claro que só de imaginar já sofri e talvez se eu assistisse à gravação os fantasmas sumiriam da minha mente. Mas resolvi ficar com eles.

De qualquer forma, não foi exatamente sobre o fato que eu fiquei pensando, e sim sobre a reação que ele provocou nas pessoas em redes sociais.

Primeiro, que fique claro: respeito qualquer animal, especialmente cachorros. Já devo ter tirado uns vinte das ruas, dos quais uns dez ficaram na casa dos meus pais. Os outros foram para donos que eu escolhi após visitas e entrevistas. Portanto, não admito qualquer violência contra eles. Uma vez, é sério, briguei com um cara no meio da rua porque ele estava chutando um rato. É, um rato enorme e gordo.

Segundo, eu sou mãe e meu coração quebra quando eu penso nessa mulher batendo no cachorro na frente da sua criança. Não consigo dimensionar o estrago.

Terceiro, penso na pessoa que ficou filmando tudo isso. Na era das redes sociais onde o que mais vemos são frases de outros copiadas e coladas à exaustão, penso naquela do Martin Luther King: “o que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Mas, eu pensei em outra coisa. Uma coisa que foi a que mais me chocou e que me tirou o sossego até agora: a reação das pessoas no Facebook, única rede social que frequento.

Na verdade, quando li a notícia, a primeira coisa que pensei foi: coitada dessa mulher descontrolada! Eu não sei se alguém que me lê já chegou no fundo do poço. Eu acho que já cheguei. Minha terapeuta afirma que eu já cheguei. E quem já esteve no fundo do poço sabe do que um ser humano é capaz. Não, nunca espanquei cachorrinhos nem baratas nem crianças nem nada. Mas talvez não o tenha feito porque busquei ajuda e encontrei.

Mas também pode ser que a mulher não esteja doente e seja, sim, má. Claro, porque a maldade existe. E a sociedade tenta cuidar de uma coisa e punir outra. Ou pune as duas e não cuida de ninguém.

E seja lá o que for, o que eu sei é que eu não sei o que é. Não a conheço, nunca vivi com ela nem na casa daquela família. E milhares de pessoas que também não a conhecem e lá nunca viveram saíram pelas redes sociais pedindo sua morte, mostrando fotos de rottweilers e pit bulls, sugerindo que ela agredisse cães dessas raças.

Não estou defendendo essa mulher, mesmo porque não tenho procuração para isso. Mas também resolvi não atacá-la. Confesso que senti mais medo das pessoas reativas em rede do que saber que essa desequilibrada ou essa maldosa cuida de uma criança. A imagem que me veio à cabeça foi das cidades se iluminando pelo mundo, aquelas apresentações que a gente recebe pela Internet, mas ao contrário: uma sombra contaminando as pessoas e o mundo se apagando. As pessoas em rede podem tanto uma coisa quanto outra. Nesse caso, acho que escolheram a sombra.

O mesmo aconteceu há alguns meses no caso dos estudantes que tomaram a reitoria da USP. Não estudo lá. Conheço quem estude e trabalhe na universidade e mesmo essas pessoas não souberam me explicar bem o que estava acontecendo. Eu não acreditava que centenas de estudantes tomariam a reitoria porque uns quatro ou seis ou oito foram levados pela polícia por estarem fumando maconha. Devia ter alguma coisa a mais e alguns amigos me indicaram uns artigos que explicavam a situação com um pouco mais de detalhes. Novamente, não defendo esses estudantes, mas também não concordo com a “borrachada neles” que mais uma vez os facebookianos colavam nos seus murais. Dos que defendiam a “borrachada” ou a “porrada” nos “vagabundos”, nenhum soube me explicar com clareza e imparcialidade o que estava acontecendo.

Eu fico com muito medo. Sem exagero. E se essas pessoas estivessem unidas fisicamente ao invés de virtualmente? Veríamos o que vemos com as grandes torcidas em jogos de futebol. Ou um linchamento. Só porque é virtual pode? Será que as pessoas estão se dando conta de que entraram numa massa? Se sim e escolheram esse caminho, aceito. O problema é que a maioria deve acreditar que está agindo na individualidade em prol da bondade. Todos nos tornamos juízes e aplicamos penas de morte sem julgamento sério e digno.

Precisamos nos expor com mais calma e cautela. E sobretudo com conhecimento. Muita maldade também já foi feita em nome do bem.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O fim

Muitas festas. Algumas com pessoas que a gente vê sempre e outras com pessoas que precisariam de um crachá com nome e procedência, o que não significa que seja ruim para uma pessoa nostálgica como eu.

Pessoas de longe que sei que estão perto, mas não consigo encontrar. Pessoas que amo. Para sempre, eu sei que para sempre.

Prazos. Artigos que escrevi e gostei. Artigos que escrevi e detestei. Trabalhos que preciso, mas não quero pegar. Trabalhos que quero pegar e não consigo.

Dois dias no interior. A cidade em que cresci mudou, mas ainda escuto as risadas que dei por lá e sinto o cheiro da alegria e da paixão. Dois dias presa nas minhas lembranças. Felizes. Como eu já fui feliz nessa vida.

O trânsito na capital. O mau-humor das pessoas que eu tento passar longe, bem longe.

Vídeos na Internet sobre mulheres que matam cachorros e assaltantes que arrancam orelhas de suas vítimas. Ei, eu não quero saber do mal. Mande-me palavras lindas juntas numa frase. Uma foto bonita com alguém sorrindo. E se estiver chorando, que seja de muita felicidade.

O fim do ano. Às vezes parece o fim do mundo. Até lá, que a vida possa ser tão intensa quanto foi essa semana que também está no fim.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Obs

Quando a primeira palavra que sai da boca do seu filho é ALEGRIA, seu coração de mãe explode em milhares de estrelas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Loucura

Os prazos estão terminando, a meta próxima de ser alcançada e a pressão é assustadora. Restam dez dias úteis. Tempo é dinheiro. Dinheiro é dezembro.
Em dezembro, procura-se resolver a vida não vivida nos últimos onze meses. Caca Rosset tuitou que é neste mes que sabemos que o ano não vai dar certo...
Ela se encosta no parapeito da janela e solta os filhos para que voem pelos quatro andares que os separam do chão. O major, durante um sequestro relâmpago, perde a vida cumprindo sua função pois se esqueceu do colete a prova de balas. Alguns boletins que chegam trazem em si o espirito vermelho do Natal. Déficit nas notas e nas contas correntes. Bondade sendo praticada com sacolas de todos os tipos e tamanhos, deixando a reciclagem de lado. Pobres sacolas plásticas, foram as culpadas pela poluição do meio ambiente e hoje observam suas primas de papel rodando livremente pela cidade. Desafetos em "festinhas de firma" trocam anonimamente presentes que em sorteios os fizeram amigos. O compromisso das dez e trinta começa na realidade às oito para que seja cumprido no horário - pode começar antes, se o trajeto prevê algum shopping center no meio do caminho. Esta é a pedra de todos nesta época do ano. O casamento que se arrasta tem seu decreto definitivo, mas não final. É pau, é pedra, é o fim deste caminho. A ser efetivado em janeiro, para não traumatizar o Natal das crianças.

A partir das quatro horas da tarde, no decimo sexto andar de um prédio no Itaim, um espetáculo de verão tem início.
Vinte, trinta ou quarenta andorinhas bailam pelo céu, todos os dias até o final do verão.
Cantam, alegres, rodopiam em um bailado encantador.
É Natal.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Exercicio Marcelino

Queridos, o texto exercicio da oficina do Marcelino, optei por postar no meu blog - se quiserem fazer uma visita, sigam o link!
http://letrajuntojuntatudo.blogspot.com/2011/12/desfecho-unico.html

Pacto por água abaixo todos os dias

Quase todos os dias eu combino comigo mesma que não vou mais me assustar com o ser humano que já provou ser capaz das mais belas bondades e das mais terríveis crueldades. Acho que eu tento eliminar a emoção que faz com que eu viva quase vinte e quatro horas numa montanha-russa. É lugar-comum, eu sei, mas é perfeito: tem o trecho plano em que você consegue até apreciar a paisagem, uma subida que parece eterna e não te deixa ver nada do que acontecerá lá na frente, uma descida desenfreada, uma ou duas voltas em que viramos de cabeça pra baixo, umas voltinhas mais lentas para recuperarmos o fôlego e um fim que pode ser acompanhado de risadas ou de vômitos.

Todo dia eu falho.

Hoje foi com a notícia de que a polícia chinesa encontrou 180 crianças sequestradas para tráfico.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Alguém falou em culpa?

A babá já deixou claro que ela não ganha para acordar à noite e como você não encontra outra para substituí-la, aguenta. Mas essa noite você está sozinha: você e as crianças. E antes de se recolher, pontualmente às nove da noite, a babá avisa que amanhã de manhã irá ao médico. Ah, claro, último dia de aula do seu mestrado e no escritório um monte de coisas te esperando, mas tudo bem, você corre o risco de ser tão grossa e estúpida com a babá – você sabe do que é capaz nesses momentos, que engole seco e pensa que amanhã você vê como se vira.

Aí você tenta fazer uma criança dormir das nove às onze da noite. Duas horas com ela virando de um lado pro outro e te chamando e resmungando e pedindo peta e tetê e mãe vem aqui e você com calma pedindo para ela dormir até que chega ao limite e a manda fechar esses olhos e calar a boca. Ufa. Deita às onze mas meia-noite a outra chora porque quer porque quer a mamadeira e você dá. Coloca-a de volta no berço uma da manhã e a outra começa a choramingar. Você larga as duas no quarto e tenta dormir, mas aqueles resmungos não deixam. Solta um shhhhhhiiiiiiiiiiiiiiii bem alto e todos calam. Até às três. Acessa o Facebook conta até mil reza mesmo sem saber pede ajuda aos anjos mas às cinco entra no quarto e dá um berro. Um belíssimo calem a boca. Volta para a cama e pensa se vai tomar raticida ou enfiar a cabeça no forno de tanto remorso. Tem vontade de trazer as duas crianças para a sua cama e chorar um Amazonas de arrependimento. Às seis as duas pulam na sua cama e você resolve rir. Até ver uma delas com os olhos inchados e vermelhos e ramelentos. O pediatra pode te atender às oito e meia. Dá tempo? Claro, são sete e meia, você está sozinha, mora longe do consultório, em São Paulo – mero detalhe, precisa se trocar, escovar os dentes - não pode esquecer de escovar os dentes, é mais importante do que pentear os cabelos, depois trocar as crianças, escovar os dentes delas – pelo menos só da que será examinada, para o pediatra não achar que você é tão relapsa. Você vai conseguir.

E chega no carro carregando as duas chorando – uma porque quer fechar a porta e chamar o elevador e abrir o elevador e apertar o botão da garagem e ir no colo e a outra...porque viu a mais velha chorando. E lembra que está só com uma cadeirinha no carro, a outra ficou no outro carro que está em outra garagem e que se dane é preciso ir, uma na cadeirinha e a outra presa ao cinto berrando porque quer a cadeirinha e você, mais uma vez, mais uma vez, berra. Berra não tem outra cadeirinha para o prédio inteiro ouvir.

E vai sofrendo, sorrindo e chorando, mas vai. Consegue chegar. O pediatra detecta uma otite na criança mais velha que pode estar até prejudicando a audição. Pelo menos não deve ter escutado meus berros, você diz. O médico ri. Você segura as lágrimas.

Agora só falta você encontrar a amiga que te lembra do quanto a bebê dela é calma porque ela a leva na yoga e na natação e na meditação e na massagem.

Não, por favor, hoje não.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Manual

Compro celular novo. Leio o manual. Televisão? Idem. Relogio de parede? Também. Eu gosto de ler manuais. Pode até ser o da sua maquina de lavar roupa.
Produto de um lado, manual do outro, mexe aqui, vira acolá e... voilá! Como diria minha amiga R.D., fico toda pimpona depois que a traquitana está funcionando.
Nos remotos tempos de teste vocacional, do tipo "feito nas coxas", recebi um resultado sugerindo que eu trabalhasse com Organização e Métodos. Nem existe mais isso, trocaram de nome e, até eu enquanto escrevo isto, dou risada com a imagem de que eu pudesse organizar e dar método a alguma coisa... Pois sim! Para isso existem os manuais - que os outros escrevem e com os quais, me delicio.
Além da quantidade infinita de manuais, existem os livros que ensinam qualquer um a fazer qualquer coisa. Estes são bestsellers - podem conferir nas prateleiras da casa de minha mãe. Precisa trocar pia? Tem um livro prá isso. Consertar torneira. Tem, sim senhor. Chuveiro, porta, para organizar armários, prateleiras, gavetas, tirar manchas, etc, etc, etc Todos os assuntos nas prateleiras das Saraivas e Culturas da vida.
Há muito tempo, exatamente dezenove anos, tenho procurado um manual único - ninguém tem, todos procuram e alguns poucos são experts autodidatas na matéria.
Se voce que está lendo, souber de um exemplar, por favor, me empresta.
É o manual "Como ser uma boa mãe e abandonar o sentimento de culpa".
Eu juuuuuuuuuuro que leio rapidinho e devolvo. Prometo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O dia do Doutor

Eu sou uma corinthiana nada ortodoxa. Não sei a escalação e mal assisto aos jogos, mas eu sou corinthiana, filha de um corinthiano fundamentalista que nunca perdeu o bom humor por causa de um jogo perdido ou mal jogado. Para o meu pai, "basta ser corinthiano". Ou, nas palavras de Toquinho, "ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro". E eu, sou corinthiana, lá do meu jeito, mas sou. Já fui algumas vezes no estádio - experiência das mais emocionantes, já gritei em vários jogos pela TV e já desfilei orgulhosa pela Gaviões. Não trocaria o Corinthians por nenhum outro time. É diferente. A paixão do corinthiano pelo seu time não é como a dos torcedores dos outros times. É visceral e incondicional. É bonita. É a mais bonita.

Hoje às seis da manhã, entre o consciente e o inconsciente, ouvi meu marido falar "o Sócrates morreu, seu pai vai ficar triste". Às nove eu levantei com aquela sensação de que tive um sonho sobre a morte do Sócrates, mas a notícia estava lá na tela do computador. Meu pai deve ter ficado triste, mas eu também. Eu me lembro dele jogando. Sei lá por qual razão eu gravei umas imagens dele no campo. Era uma época bacana. Aqueles magrelos jogando por pouco dinheiro. Era bonito. Era mais bonito.

Justo hoje. Justo hoje que o Corinthians disputa o título do campeonato brasileiro 2011. O título que quase saiu domingo passado, mas que agora eu entendi. Tinha que ficar ainda mais emocionante. E de emoção o corinthiano entende.

Vai ser uma festa, do jeito que o Magrão merece. Eu vou me juntar à torcida hoje. Hoje eu vou.