"Eu te amo", sempre. Se você diz "eu te amo" é porque existe alguém que te conquistou e que torna o mundo melhor para você.
"Estou com saudades" significa que você guarda pessoas, coisas, momentos, sensações e lugares no coração.
"Obrigado". Alguém fez alguma coisa por você, pequena, grande ou enorme, mas algo foi feito para você.
E a que eu mais gosto: "amigo de infância". Ter um amigo desde a infância é ter encontrado uma parte de você que não tem seu sangue, mas tem parte da sua alma.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Morte minguante
Se eu morrer agora...
Nada indica que eu vá morrer agora. Estou na sala de uma casa rodeada de pastos por onde circulam também cachorros e pássaros, numa região em tempos de paz, longe da estrada e da rota dos aviões. Só umas mariposas à procura da luz que me serve passam por cima da minha cabeça silenciosa.
Choveu o dia todo. Duvido que alguma palha fugida de um cigarro aceso possa colocar no mato um fogo capaz de me encontrar aqui parada. Não ouço mais trovões e ao redor dessa casinha a árvore mais alta é uma roseira.
Sinto meus órgãos e células em bom funcionamento. Nenhum câncer sorrateiro me corrói, o colesterol está como deveria estar e a pressão...não há nenhuma pressão por aqui. Pareço uma menina, foi o médico quem disse.
Então é quase impossível que eu enfarte agora, sentada à mesa de jantar em frente a um bloco de papel e uma caneta. Com exceção de um tio que sofreu um derrame no meio da noite, todos aqueles que carregaram o meu sangue antes de mim morreram porque chegaram ao fim. Portanto é pouco provável que o fim chegue até mim e chegue agora.
Mas, como não duvido da criatividade da vida e das razões da natureza, se eu morrer agora, vou tomada por essa alegria que nos pega distraídos no dobrar de uma esquina como uma lufada, mas com a delicadeza de um assopro. Essa alegria que entra pelos dedos dos pés e das mãos e caminha como se andasse sobre pétalas de rosas até o útero, centro da existência. Essa alegria tão quentinha quanto uma família reunida debaixo de uma lâmpada para dividir o pão fresco no fim de uma tarde fria e chuvosa.
É difícil que eu vá, mas se eu morrer agora, levo grudada na retina essa lua minguante que do lado de lá da janela me seduz e me reduz.
Quando eu era criança, gostava de ouvir minha avó dizer tão molemente a palavra “minguante”. Eu ficava ali agarrada à sua saia, olhando para cima na esperança ainda vã de que um pedacinho quente e dourado da lua escorresse até as minhas mãos.
Essa mesma lua minguante que hoje aponta para o nascer de um sol que, eu sei, me esquentará amanhã, mas se eu morrer agora...
Luciana Gerbovic
Outubro/2011
Nada indica que eu vá morrer agora. Estou na sala de uma casa rodeada de pastos por onde circulam também cachorros e pássaros, numa região em tempos de paz, longe da estrada e da rota dos aviões. Só umas mariposas à procura da luz que me serve passam por cima da minha cabeça silenciosa.
Choveu o dia todo. Duvido que alguma palha fugida de um cigarro aceso possa colocar no mato um fogo capaz de me encontrar aqui parada. Não ouço mais trovões e ao redor dessa casinha a árvore mais alta é uma roseira.
Sinto meus órgãos e células em bom funcionamento. Nenhum câncer sorrateiro me corrói, o colesterol está como deveria estar e a pressão...não há nenhuma pressão por aqui. Pareço uma menina, foi o médico quem disse.
Então é quase impossível que eu enfarte agora, sentada à mesa de jantar em frente a um bloco de papel e uma caneta. Com exceção de um tio que sofreu um derrame no meio da noite, todos aqueles que carregaram o meu sangue antes de mim morreram porque chegaram ao fim. Portanto é pouco provável que o fim chegue até mim e chegue agora.
Mas, como não duvido da criatividade da vida e das razões da natureza, se eu morrer agora, vou tomada por essa alegria que nos pega distraídos no dobrar de uma esquina como uma lufada, mas com a delicadeza de um assopro. Essa alegria que entra pelos dedos dos pés e das mãos e caminha como se andasse sobre pétalas de rosas até o útero, centro da existência. Essa alegria tão quentinha quanto uma família reunida debaixo de uma lâmpada para dividir o pão fresco no fim de uma tarde fria e chuvosa.
É difícil que eu vá, mas se eu morrer agora, levo grudada na retina essa lua minguante que do lado de lá da janela me seduz e me reduz.
Quando eu era criança, gostava de ouvir minha avó dizer tão molemente a palavra “minguante”. Eu ficava ali agarrada à sua saia, olhando para cima na esperança ainda vã de que um pedacinho quente e dourado da lua escorresse até as minhas mãos.
Essa mesma lua minguante que hoje aponta para o nascer de um sol que, eu sei, me esquentará amanhã, mas se eu morrer agora...
Luciana Gerbovic
Outubro/2011
Pensamento do dia
É difícil manter o peso, dificílimo perder.
É difícil ganhar dinheiro. Pra mim, então, muito difícil.
É difícil manter o casamento. Muito muito difícil.
É difícil criar filhos. A missão mais difícil de todas.
É difícil manter a casa limpa e arrumada. Quase impossível arranjar alguém para trabalhar nela enquanto eu trabalho fora.
É difícil arranjar tempo para ler, escrever, namorar, passear, sair com os amigos.
É difícil encarar o trânsito de uma cidade super lotada de pessoas e coisas.
É difícil viver com a violência urbana e a falta de ética.
Uma coisinha fácil. Eu queria apenas uma coisinha fácil de se conseguir.
É difícil ganhar dinheiro. Pra mim, então, muito difícil.
É difícil manter o casamento. Muito muito difícil.
É difícil criar filhos. A missão mais difícil de todas.
É difícil manter a casa limpa e arrumada. Quase impossível arranjar alguém para trabalhar nela enquanto eu trabalho fora.
É difícil arranjar tempo para ler, escrever, namorar, passear, sair com os amigos.
É difícil encarar o trânsito de uma cidade super lotada de pessoas e coisas.
É difícil viver com a violência urbana e a falta de ética.
Uma coisinha fácil. Eu queria apenas uma coisinha fácil de se conseguir.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Boa noite, São Paulo!
Nove da manhã, entrando no carro em frente a uma escola infantil: um homem passa correndo e gritando "pega ladrão pega ladrão pega ladrão". Corre tropeçando nas próprias pernas e no desespero, mas sua moto foi embora com quem não trabalha para possui-la.
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré, a esperança não vem do mar, nem das antenas de TV, a arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê
Meio dia, dirigindo um carro a vinte por hora, velocidade média possível na Alameda Santos: dois policiais numa moto fazem sinal para eu parar e vão ao encontro de um carro de bombeiros para socorrer uma mulher grávida caída na rua com as pernas ensanguentadas.
Pois paz sem voz, paz sem voz, não é paz, é medo
Oito na noite, dentro do carro esperando o semáforo liberar o caminho: uma mulher bate na janela do meu carro gritando peloamordedeus para eu deixá-la passar assim que o semáforo abrir pois ela tem um acidentado dentro do carro dela, logo atrás de mim. Eu entendi e fiz o que pude, os outros não. Ela não tinha como avisar todos os motoristas.
And so Sally can wait, she knows it´s too late, as we´re walking on by
Oito e meia da noite, chego em casa: não, aqui na cidade que me pariu, minha cidademãe, isso não é sinônimo de segurança. Talvez de um pouco de descanso, um pouco apenas.
Alagados, Trenchtown, Favela da Maré, a esperança não vem do mar, nem das antenas de TV, a arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê
Meio dia, dirigindo um carro a vinte por hora, velocidade média possível na Alameda Santos: dois policiais numa moto fazem sinal para eu parar e vão ao encontro de um carro de bombeiros para socorrer uma mulher grávida caída na rua com as pernas ensanguentadas.
Pois paz sem voz, paz sem voz, não é paz, é medo
Oito na noite, dentro do carro esperando o semáforo liberar o caminho: uma mulher bate na janela do meu carro gritando peloamordedeus para eu deixá-la passar assim que o semáforo abrir pois ela tem um acidentado dentro do carro dela, logo atrás de mim. Eu entendi e fiz o que pude, os outros não. Ela não tinha como avisar todos os motoristas.
And so Sally can wait, she knows it´s too late, as we´re walking on by
Oito e meia da noite, chego em casa: não, aqui na cidade que me pariu, minha cidademãe, isso não é sinônimo de segurança. Talvez de um pouco de descanso, um pouco apenas.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
14 de Novembro de 2011.
Uma semana. Faz uma semana que meus canais favoritos da Sky estão digitalizados e impossíveis de serem assistidos. Uma semana. Só meus canais favoritos. Nada de "House", de "The Good Wife". Nada de ver o Agente Stabler em "Law and Order - SVU". Nada de assistir reprise de "Friends" ou meu sagrado noticiário matutino na Globo News. Nada de nada. Foram várias ligações até agendarem uma visita técnica para hoje, às 8h. Ou a partir das 8h. Meio de feriado, meio chato. Acordei, me troquei. Fiquei apresentável para a visita do doutor. Resumo da ópera: ele nunca veio. Então foram mais tantas ligações de protesto, muitos nervos exaltados e mãos perdidas com atendentes de robotizadas. Deus! Quem inventa esses protocolos de atendimento? Ninguém sabe ser flexível? Reclamei no Facebook. Reclamei no Twitter. Reclamei no "Reclame aqui" (afinal o nome pedia que eu reclamasse). Mais um tanto de ligações e eu perdi uma série de tijolinhos no céu por descarregar propositalmente minha raiva em pessoas que eu sabia "estavam fazendo apenas seu trabalho". Enfim, vou para retaliação final. Cancelo meu plano de serviços. Contrato a concorrente. E quando tudo parecia tão vingado, ligo a TV pela primeira vez no dia e... Todos os canais funcionando. Brilhando e sorrindo para mim.
domingo, 13 de novembro de 2011
13 de Novembro de 2011
Passei o dia limpando a casa. Faxina de verdade nessa minha nova fase "européia" de ser. Tirei pó, aspirei, passei pano no chão. Afofei as almofadas e lavei roupas. No final do dia estava tudo tão impecável que brilhava. Então recebo amigos em casa, o Dri veio com a Paçoca. Paçoca foi resgata me uma noite de terror, no escuro do centro, quando todos voltavam do Bar B para casa. Virou cã de estimação. E sem protesto algum, permiti que Paçoca comesse pipocas em cima do sofá. Como agradecimento, lambeu os dedos do meu pé sem parar. Estamos fazendo progressos no ramo das neuroses pessoais.
sábado, 12 de novembro de 2011
Day after
Se ontem anunciavam o mais cabalísticos dos dias para a Humanidade desta era, esqueceram de informar que, da mesma forma que depois da tempestade, vem a bonança - para um dia cabalístico também existe um "day after".
E esse, que até tinha pinta de bacanudo, ferrou tudo.
E esse, que até tinha pinta de bacanudo, ferrou tudo.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
11.11.11
Talvez eu fosse mais feliz se acreditasse mais. Mais em mais coisas como, por exemplo, um acontecimento capaz de mudar o mundo ou a humanidade só porque hoje é dia 11.11.11. Quer dizer, hoje é 11.11.2011, deve ter sido mais assustador ou encantador mesmo em 11.11.1111. Escrita, a data perde a graça: 11 de novembro de 2011. E piora: onze de novembro de dois mil e onze.
Não sei se tudo isso é apenas uma brincadeira. Para alguns acho que não. Para mim é apenas uma data bonita. Se eu estivesse grávida já aos nove meses, pensaria numa cesárea. Não estou, portanto só penso na beleza dos números combinando. Gosto de números que combinam. Por exemplo, alguém que nasceu em 07.07.70. Ou que casou em 02.03.04. Mas prefiro os pares. Acho número ímpar extremamente antipático e egoísta: na divisão por dois sempre sobra um. Gosto do 8, essa volta infinita. Nasci no dia 28, que bom. A médica da mamãe quem escolheu, não por causa do 8 ou do 2 ou dos dois juntos. Era o melhor dia para ela arrancar a menina que não queria sair do útero.
Mas, voltando, se eu acreditasse que o mundo dá a mínima para esse calendário inventado por nós, talvez eu fosse mais feliz. Mas o mundo, o planeta Terra, o universo em que ele flutua, nada disso está se importando com a gente e com as nossas invenções, desde o calendário até a bomba atômica. Se um dia acabar por culpa nossa ou não, a coisa começa de novo em algum canto por aí. Melancholia está aí, nem um pouco preocupada com a gente, pessoinhas que não enxergam um palmo a frente do umbigo, muito menos se hoje é dia 11.11.11 ou 25.07.69 ou 08.05.12.
Até o fim do mundo, resta-nos viver com a dor de se saber sozinho no universo.
Não sei se tudo isso é apenas uma brincadeira. Para alguns acho que não. Para mim é apenas uma data bonita. Se eu estivesse grávida já aos nove meses, pensaria numa cesárea. Não estou, portanto só penso na beleza dos números combinando. Gosto de números que combinam. Por exemplo, alguém que nasceu em 07.07.70. Ou que casou em 02.03.04. Mas prefiro os pares. Acho número ímpar extremamente antipático e egoísta: na divisão por dois sempre sobra um. Gosto do 8, essa volta infinita. Nasci no dia 28, que bom. A médica da mamãe quem escolheu, não por causa do 8 ou do 2 ou dos dois juntos. Era o melhor dia para ela arrancar a menina que não queria sair do útero.
Mas, voltando, se eu acreditasse que o mundo dá a mínima para esse calendário inventado por nós, talvez eu fosse mais feliz. Mas o mundo, o planeta Terra, o universo em que ele flutua, nada disso está se importando com a gente e com as nossas invenções, desde o calendário até a bomba atômica. Se um dia acabar por culpa nossa ou não, a coisa começa de novo em algum canto por aí. Melancholia está aí, nem um pouco preocupada com a gente, pessoinhas que não enxergam um palmo a frente do umbigo, muito menos se hoje é dia 11.11.11 ou 25.07.69 ou 08.05.12.
Até o fim do mundo, resta-nos viver com a dor de se saber sozinho no universo.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
10 de Novembro de 2011
Mami ressona na cama do hospital. Procedimento bobo de última hora, mas que deu internação, muita espera, horas de pé e a mudança do meu escritório de trabalho para um sofá no Hospital São Luiz. Para comer só quiche ressecada de estufa do café ou um desses lugares de firma em volta do hospital. Muito sono e uma conta salgada de estacionamento. Ela está se divertindo. Achando ótima toda atenção recebida, e aproveitando a oportunidade de dormir o dia todo e refeições na cama como se fosse um SPA 5 estrelas. Termino o dia pensando como eu não gostaria de uma internação de 3 dias. Precisava tanto de uma desculpa para sumir e desligar.
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