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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SAUDADE

sau.da.de
sf (lat solitate) 1 Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2 Nostalgia. 3Ornit Pássaro muito atraente da família dos Cotingídeos (Tijuca atra); assobiador. 4 Bot Nome com que se designam várias plantas dipsacáceas e suas flores; escabiosa. 5 Bot Planta asclepiadácea (Asclepias umbellata). sf pl Lembranças, recomendações, cumprimentos. S.-da-campina: o mesmo quecega-olho, acepção 1. Saudades-de-pernambuco: o mesmo que jitirana-de-leite. Saudades-perpétuas, Bot: planta da família das Compostas (Xeranthemum annuum).
É uma palavra única. Só existe em galego e em português. É também minha palavra favorita. Talvez porque eu seja tão apaixonada por essa língua que eu fico pimpona de saber que nós podemos expressar esse sentimento de uma maneira que ninguém mais no mundo consegue. E me dá um orgulho danado falar, escrever, me comunicar em uma língua que sabe como dizer saudade. Hoje é o Dia da Saudade, não sei porque. Talvez alguém precisasse institucionalizar o sentimento, ou talvez porque havia algum deputado entediado. Eu gosto de pensar que alguém amava tanto a dor daquele vazio que se instalava, sentia-se tão impotente diante da lembrança do que seus braços já não mais alcançavam; que resolveu criar um dia para sentir saudades, adicionando como regra que não se houvesse mais saudades em dia nenhum após aquele. Acontece que saudade é como fumaça de incêndio ou poluição. Inevitável, indomável, impalpável. Ela passa pelas frestas, enche nossos pulmões. Não existe como dissociar saudades do ar que respiramos. E quando faz muito tempo, já não sabemos dissociar as saudades de nós mesmos. O que mais gosto de saudade, é que ela não pode ser planejada. Ela chega, e só existe quando já é. Não se escolhe quando sentir saudades, assim como não escolhemos quando amamos o que se foi. Às vezes sinto saudades do que está bem na minha frente. É quando realizo que já não sou mais meu objeto de saudades. Então encaro a estranha no espelho e aceito que um dia também posso sentir saudades dela.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Astromelias

Comprei um buquê de flores para colocar no vaso em cima da mesa da sala. Um buquê de astromelias roxas que alegraram o ambiente por um par de dias. No final de semana começaram a despetalar. Engraçado que elas não murcharam, não perderam a cor. Simplesmente se despetalam aos poucos quando eu não estou olhando. Cada vez que passo por elas, recolho um tanto de pétalas mortas caídas sobre a mesa e jogo no lixinho da pia. Elas ainda parecem com um buquê, mas eu sei que os dias estão contados. Que em pouco tempo todas as pétalas ter-se-ão ido, e o que sobrará será um punhado de caules embolorados em uma água turva. Fico pensando em qual foi o exato momento que o buquê deixou de ter vida. O instante em que esse processo todo se iniciou. Aquele limite sem volta em que o vivo e vistoso condenou-se irreversivelmente ao destino árido de um vaso morto. E cheguei a conclusão que eu mesma não notei quando minha primeira pétala caiu sobre o tampo de madeira. Nesse final de semana me despetalei. Sem dor nenhuma. Como quando uma rajada de vento joga ao chão as pétalas soltas de astromelia da alma. Elas já estavam soltas, só precisavam de algo que as desprendessem. Seja o vento, seja a gravidade. Pétalas soltas caem. Agarrar-se à ilusão de que ainda são flores não vai fazer delas um buquê. Perdi a confiança em todo mundo que conheço. Não é um exagero. Perdi a confiança na minha família, nos meus amigos. Naqueles que eu tinha certeza que eram amigos. Amei tanto a beleza de um vaso florido, que nem percebi que ele não é mais vaso, não é mais flor. Ainda amo, embora não saiba o que eu ame. Não sei se amo a idéia de astromelias, ou se sou capaz de amar o lixo orgânico que elas se tornam. Confiança é uma pétala. Quando ela se desprende, nunca mais será flor novamente. É possível amar sem confiar?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Angel

Hoje estou ressentida. Sério. Não é um sentimento bonito, eu sei. Mas é um sentimento, e acho que a gente está na brincadeira para sentir todos os sentimentos. Então hoje é ressentimento. Mas nada que cause muito espanto. Não estou ressentida da minha infância, ou de alguém em particular. Estou ressentida sim por não ter nascido com o corpo da Gisele Bündchen, ou da Alessandra Ambrosio. Estou ressentida por sofrer bullying da balança do banheiro. De não poder comer Chocottone com chocolate extra. Verdade que não é um grande ressentimento, e futilidades costumam ter datas marcadas. Mas se uma mulher alega nunca ter se ressentido de uma Victoria’s Secret Angel, está mentindo. Ou pior. É porque seus ressentimentos são muito mais sérios. E daí vem a amargura, o desencanto. Por aqui tento manter assim. Os ressentimentos fúteis, e os amores verdadeiros e profundos.
PS.: E só para registro, já que meus amores são profundos, comunico em tom de piada interna que “se é para o bem de todos e felicidade geral da estufa, diga às avencas que fico”. ;-)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

16 de janeiro de 2012.

Hoje estou um pouco triste. Passei o dia vendo tantas notícias tristes na internet. Trabalhei tanto que meu ombro dói. Tentei parar às 19h, mas só consegui às 21h. Só coisas feias acontecendo. Então já não tinha forças para escrever mais nada. A pia ficou cheia de louças, porque eu não tinha forças para lavar. O escritório ficou uma bagunça, porque eu não tive forças para colocar os papéis em seus devidos lugares. Nem todos os emails foram respondidos. Nenhum livro foi lido. Nenhuma frase escrita. Mais pessoas dirigindo bêbadas. Mais mulheres sendo tratadas como lixo. Mais crianças sucumbindo às drogas nas ruas. Mais cinismo em todas as relações. Eu geralmente vivo em um mundo cheio de amor. Acredito que as coisas vão melhorar sempre, que existe beleza no mundo e que a natureza humana é de bondade. Mas hoje... hoje estou triste. As coisas feias do mundo conseguiram tomar mais minha atenção do que o resto. E quando isso acontece não sobra muita energia para nada.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Toda a gente diferenciada

Já era 1h da manhã quando eu voltava para casa depois de um jantar e um longo papo com minha melhor amiga. Parei no farol da esquina da Angélica com a Sergipe. A mesma esquina da polêmica estação de metrô. A esquina do Pão de Açúcar e da "gente diferenciada". Na porta do supermercado estava sentado um bêbado segurando um copo de plástico. Ele estava encolhido, quase imperceptível, talvez na tentativa de chamar o mínimo de atenção e não ser enxotado da calçada. Pela porta saía um grupo animado de jovens. As meninas vestidas com saias curtinhas, brilhavam sob a luz pública, reluzindo glitter e gloss importado. Os rapazes, todos com os cabelos impecáveis. Exibiam músculos perfeitamente esculpidos dentro das mangas de suas camisetas brancas e coloridas. Ao fundo do grupo um rapaz loiro, com feições um pouco arrogantes, um pouco audaciosas. Feições que esses meninos "não-diferenciados" todos exibem antes de entrar em seus  carros e dirigirem para clubes e discotecas. O menino loiro carregava uma garrafa de vodka. O mendigo estendeu o copinho de plástico pedindo um pouco da bebida. Me surpreendi com a prontidão com que o rapaz parou para atender o bêbado. Arrancou o lacre da garrafa, jogou no chão da calçada, e com esforço tentou abrir a garrafa. A garrafa não abria. O mendigo estava com os olhos fixos no rapaz, quase não respirava, com seu copo de plástico aguardando uma dose de anestésico. O rapaz olhava para os amigos. Tentava abrir a garrafa ignorando completamente a pessoa para quem se disponibilizava ajudar. Ele tentou. Tentou. A garrafa não abria. Então o rapaz loiro desistiu. Virou as costas e seguiu o grupo de amigos. Sem dizer nada. Sem se desculpar. Sem dar uma satisfação. Ele foi embora sem nem se dar conta de que o copinho de plástico continuava no ar esticado, e que a expressão no rosto do bêbado era de um desolamento de cortar o coração. Meu farol abriu mas eu estava tão chocada com a falta de respeito que eu havia testemunhado, que não segui. Dei ré, encostei na calçada e tirei a primeira nota que encontrei na carteira para o bêbado. Ele se assustou a princípio, mas depois pegou o dinheiro e me agradeceu. Me agradeceu diversas vezes, e continuou agradecendo a Deus e me acenando sorrindo mesmo depois, quando eu já estava com o vidro insulfilmado levantado, esperando mais uma vez o farol abrir na esquina diferenciada. Uma parte de mim se sente responsável por todo sofrimento e pelo dano que a bebida que aquele homem comprar com o dinheiro que eu dei possa fazer. Uma outra parte simplesmente não consegue ver uma pessoa ser ignorada e tratada como lixo. Tanta polêmica por dizerem que as pessoas são diferenciadas. Eu só vejo pessoas.  Algumas agradecem a Deus, outras viravam as costas incapazes de olhar nos olhos daqueles a quem se dispuseram a ajudar. Naquela calçada só havia pessoas, e todas buscando serem anestesiadas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Elevador

Eu parei no térreo para deixar uma tupperware com chocottone para os seguranças do prédio. Quando voltei o elevador subiu, em vez de descer para garagem. Fiquei brava, um pouco irritada. Fiquei apertando inutilmente o botão do 2S até que o elevador parou no 9o andar. A mulher que entrou estava chorando. Limpou as lágrimas com discrição, talvez amaldiçoando minha presença dentro do elevador da mesma maneira como amaldiçoei a viagem até lá em cima. Era uma mulher bonita, talvez uns 40 anos. Lábios grossos, olhos amendoados. O cabelo preto e brilhante preso em um rabo de cavalo alto perfeito. Estava bem vestida, com uma calça jeans escura, escarpin preto e um lindo sueter argyle rosa. Ela apertou o 6o andar, e continuava passando os dedos sob os olhos, disfarçando as lágrimas. Imaginei que alguém devesse ter partido o coração da mulher. Imaginei que esse alguém morasse também no nosso prédio. E lembrei que a última coisa que queremos é uma testemunha de nossas lágrimas quando nosso coração despedaça. Pensei que no meio do silêncio daquele elevador iam duas mulheres de coração castigado, e quando o espaço é tão pequeno, parece que o mundo todo se resume apenas a isso. Pensei em como era injusto aquilo. Resolvi que não ia lavar minhas mãos. As lágrimas continuavam teimosas, são muito impertinentes quando querem. Eu não queria ser a garota que a viu chorar no elevador. Então eu falei. Abri minha boca e falei. "Lindo o seu suéter!". A mulher se espantou por um segundo, depois abaixou o rosto até o peito, meio que lembrando qual era mesmo o suéter que estava usando e... sorriu. "Ele é diferente, né!?". Acenei que sim. Era diferente. A mulher sorriu e soltou de leve, quase imperceptivelmente a respiração. Talvez por um segundo ela tenha se esquecido do coração partido. Talvez por um segundo ela tenha se lembrado de todas as coisas que ela era além daquilo. Talvez por um segundo ela tenha se lembrado do dia em que comprou o suéter, da lojista lhe apresentando opções, do momento da escolha. Talvez por um segundo ela tenha pensado como tinha feito a escolha certa ao se vestir pela manhã. E se lembrado de que ela era uma mulher bonita, interessante, sofisticada. Ou talvez nada disso tenha se passado para ela. Mas quando a mulher desceu no 6o andar, o sorriso continuava lá.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

30 de Novembro de 2011.

Uma das maiores descobertas que tive na vida foi de que a gente só conquista liberdade quando estabelecemos limites. É. Meio antagônico. Mas juro que funciona. Fiquei pensando hoje de manhã nisso, enquanto eu tomava café e assistia o Renato Machado conversar comigo de Londres. Eu tenho um paladar bem próprio. Embora eu seja uma avestruz na arte de explorar sabores, tenho minhas predileções confortáveis que posso comer todos os dias. Sou bem conservadora, no fundo. Café da manhã para mim sempre foi: café com leite, pão com manteiga, mamão papaia e suco de laranja. Algumas variações como: requeijão ou geléia, aveia e mel na papaia, ou trocar o pãozinho fracês (nham, nham) pelo integral podem ocorrer. Mas no geral, esse é o café da manhã perfeito para mim. Então um dia o médico diz "sem lactose, sem glúten, sem corantes, sem morangos". (Morangos???) E o que sobra são todos os sabores que eu perdi enquanto estava ocupada demais com os mesmos sabores. Redescobri o arroz. E umas 532 diferentes formas de comê-lo. O mesmo com o milho. Ganhei o leite de soja. Eu torcia o nariz, não achava que combinava. Mas não é que fica melhor no cappuccino do que o leite de vaca!? Grão de bico, soja, quinua. E sinto sabor de infância todos os dias fazendo muito mais sucos naturais do que consumindo os de caixinha. Mas a maior de todas as conquistas: a tapioca! Livre de glúten, sempre me dá a sensação de café da manhã da pousadinha de Canoa Quebrada no meio de Pinheiros. Ando saltitando pelas pradarias dos cafés da manhã nunca dantes explorados. Isso é tanta liberdade, que até me esqueço dos limites que me colocaram.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

28 de Novembro de 2011.

Hoje eu usei a palavra "convescote" duas vezes. Uma para enviar email para as avencas. Outra, já no final do dia. No aniversário de uma amiga estávamos discutindo porque as pessoas não fazem picnics no Brasil. Então eu propus que a gente organizasse convescotes mensais para avaliar os parques da cidade dentro da modalidade. Qual não foi a comoção despertada pela palavra: con-ves-co-te. Fiquei surpresa por um grupo até grande, até culto, de pessoas não fazerem ideia de que palavra era aquela. Pediram para repetir, o que fiz diversas vezes. Algumas rápidas, outras pausadas, desenhando as sílabas no ar. Houve concurso de soletração, e para que não houvesse mais dúvidas, peguei a caneta hidrográfica e escrevi na mão: CONVESCOTE. Verdade que o picnic já foi incorporado à lingua portuguesa e hoje atende por "piquenique". Mas eu cresci sabendo que convescote era a palavra certa para designar uma refeição coletiva feita ao ar livre onde cada membro contribui com uma parcela dos alimentos. Agora, chegando em casa, fui verificar no dicionário. E não é que convescote virou sinônimo?

Datação1889 cf. AGC

Acepções
 substantivo masculino 
Regionalismo: Brasil. Estatística: pouco usado. 
piquenique 

Etimologia
voc. forjado por Antônio de Castro Lopes (1827-1901, filólogo brasileiro) de conv(ívio) + 1escote

Sinônimos
ver sinonímia de piquenique

sábado, 26 de novembro de 2011

26 de Novembro de 2011

Ando pensando em amigos, pessoas na nossa vida. Quem vem, quem vai. Sobre nossa dose de responsabilidadde sobre cada um deles. Sobre qual nossa parcela de culpa e irritabilidade.
Ando pensando na forma bizarra que o ser humano tem de viver. Na necessidade quase desesperada de relação, interação, comunhão. Na frágil singeleza do ser. Ando pensando o quanto as importâncias dadas são virtuais. E como são efêmeras as colunas de estrutura de nossos papéis, que são concreto puro dentro do que projetamos e necessitamos nos agarrar, mas que tão surpreendentemente ruem e desmoronam como glacê de bolo colorido na saliva de uma criança. Ando pensando em crianças. Na brutal inocência da criança. Na violenta autenticidade de caráter e plenitude de uma criança que senta nos degraus da escada e espera sua vez de brincar. Ando pensando, porque é exatamente isso que me abate. Ando pensando em algodão-doce.  

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

25 de Novembro de 2011

Fiquei assustada, óbvio. A gente não recebe esse tipo de coisa assim...
Vou começar a mentir o número de horas que trabalho por dia. Minha irmã está fazendo uma lista de colegas antroposóficos e psiquiatras homeopatas. Por que será que todo mundo sempre acha que eu preciso de um psiquiatra?
Estou na condicional. Tenho de mandar relatórios diários e prometer parar a cada 3 horas. Eu vou mentir. Lógico. Todo mundo mente nessas coisas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

22 de Novembro de 2011.

Na feira livre da praça hoje cedo:
- Olha lá, minha senhora! Comprando nessa barraca você ajuda as Casas André Luiz. Eu sou o André, ele é o Luiz.

sábado, 19 de novembro de 2011

19 de Novembro de 2011

- Eu quero cancelar o serviço.
- Qual seria o motivo?
- Bom... eu estou sem sinal há mais de uma semana. Entrei em contato com você, que até foram muito gentis em um primeiro momento. Agendaram para a assistência técnica vir resolver o problema. Eu acordei cedo, deixei de ficar com a minha mãe no hospital, fiquei plantada como uma palhaça o dia todo, e o técnico não apareceu. Quando entrei em contato com vocês me informaram que o técnico havia resolvido mudar o dia da visita. Sem me avisar! Para um dia que não seria permitido entrar no meu condomínio. Depois de inúmeras solicitações e ligações um atendente disse que resolveria a situação e ficou de me ligar em 10 minutos. Eu estou até agora esperando, então resolvi mudar para o concorrente. Por isso.
- (levantando a voz e transparecendo bastante impaciência) A Senhora veja bem, a assistência técnica é terceirizada e a gente não tem nada a ver com alteração da visita...
- Sinceramente, não me interessa a logistica interna de vocês. Eu quero cancelar o serviço.
- (mais exaltado) Ah! Então só a senhora fala, e eu não posso falar?
- Eu não estou pedindo explicações. Eu quero apenas cancelar o serviço.
- (tom sarcástico) Você é quem sabe... Qual endereço devo mandar o boleto de multa?
- Multa? Como assim multa?
- (rindo) Ah! Agora a senhora quer conversar! Antes não queria, agora eu tenho de explicar?
- Tem sim senhor! Eu não quero que o senhor me convença a não cancelar o serviço, mas o senhor tem de me explicar porque e o que está me cobrando para cancelar.
- (sarcástico) Será cobrada uma multa de fidelidade proporcional no valor de R$300.
- (indignada) Eu não vou pagar isso! Fidelidade de quê? De TV à cabo?
- (gritando) Olha, minha senhora! Eu vou mandar o boleto, se a senhora vai pagar ou não é problema seu. Eu não vou deixar de te cobrar a multa porque você está me ameaçando.
- Eu não estou ameaçando nada. Só acho que não tem propósito nenhum cobrar essa multa. Vocês não me ofereceram nenhuma exclusividade por ela.
- (gritando ainda mais) Está ameaçando! Está ameaçando sim!
- Você jura para mim que esse é o seu protocolo de atendimento? Que bater boca com o cliente que quer cancelar a conta faz parte do protocolo de atendimento? Jura mesmo que vai ficar batendo boca comigo?
- (cínico) Alô... Alô... Não estou ouvindo a senhora....
- Ok, faz o seguinte. Manda o boleto, mando o que for. Só quero me ver livre da SKY o mais rápido possível!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

17 de Novembro de 2011. (Ontem)

Na estação de Pirituba fizeram uma pintura de Michael Jackson menino. Duas jovens negras, muito bonitas e produzidas, estão vestidas para um inverno polar. Um ambulante passa vendendo chocolate. Sulflair à R$2. Um homem de meia idade está com uma sacola preta cheia de mercadorias chinesas para vender. Ele checa uma por uma, e abre as embalagens experimentando os produtos. Palhetas para limpador de parabrisas. Chaveiros de esqueletos fluorescentes nas cores laranja, amarelo e verde-limão. Dois ambulantes passam vendendo amendoins e chicletes. R$1. Eles se vão. Todos no vagão mastigam. O homem de meia idade mostra para um senhor careca de orelhas grandes os produtos. O senhor parece o Mr. Magoo. O homem de meia idade puxa uma cordinha de um chaveiro de caveira amarelo. A caveira bate o maxilar frenéticamente. O adolescente gordinho que está em pé na porta do trem se vira interessado no barulho. Uma mulher vestida com roupas esportivas de marca dos pés à cabeça insiste em ficar de pé no meio do vagão, embora haja assentos vagos. O homem de meia idade se levanta e se despede do senhor orelhudo. O senhor orelhudo possui uma aparência bastante digna. O homem de meia idade desembarca na estação Vila Clarice. A mulher de roupas esportivas também.  O senhor orelhudo de aparência digna se ajeita no assento, ocupando dois lugares. Ele aperta uma narina com um dedo e assoa o nariz no ar. Toda sua dignidade se vai no assoalho do trem. A jovem com medo do frio polar chora.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

14 de Novembro de 2011.

Uma semana. Faz uma semana que meus canais favoritos da Sky estão digitalizados e impossíveis de serem assistidos. Uma semana. Só meus canais favoritos. Nada de "House", de "The Good Wife". Nada de ver o Agente Stabler em "Law and Order - SVU". Nada de assistir reprise de "Friends" ou meu sagrado noticiário matutino na Globo News. Nada de nada. Foram várias ligações até agendarem uma visita técnica para hoje, às 8h. Ou a partir das 8h. Meio de feriado, meio chato. Acordei, me troquei. Fiquei apresentável para a visita do doutor. Resumo da ópera: ele nunca veio. Então foram mais tantas ligações de protesto, muitos nervos exaltados e mãos perdidas com atendentes de robotizadas. Deus! Quem inventa esses protocolos de atendimento? Ninguém sabe ser flexível? Reclamei no Facebook. Reclamei no Twitter. Reclamei no "Reclame aqui" (afinal o nome pedia que eu reclamasse). Mais um tanto de ligações e eu perdi uma série de tijolinhos no céu por descarregar propositalmente minha raiva em pessoas que eu sabia "estavam fazendo apenas seu trabalho". Enfim, vou para retaliação final. Cancelo meu plano de serviços. Contrato a concorrente. E quando tudo parecia tão vingado, ligo a TV pela primeira vez no dia e... Todos os canais funcionando. Brilhando e sorrindo para mim.

domingo, 13 de novembro de 2011

13 de Novembro de 2011

Passei o dia limpando a casa. Faxina de verdade nessa minha nova fase "européia" de ser. Tirei pó, aspirei, passei pano no chão. Afofei as almofadas e lavei roupas. No final do dia estava tudo tão impecável que brilhava. Então recebo amigos em casa, o Dri veio com a Paçoca. Paçoca foi resgata me uma noite de terror, no escuro do centro, quando todos voltavam do Bar B para casa. Virou cã de estimação. E sem protesto algum, permiti que Paçoca comesse pipocas em cima do sofá. Como agradecimento, lambeu os dedos do meu pé sem parar. Estamos fazendo progressos no ramo das neuroses pessoais.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

10 de Novembro de 2011

Mami ressona na cama do hospital. Procedimento bobo de última hora, mas que deu internação, muita espera, horas de pé e a mudança do meu escritório de trabalho para um sofá no Hospital São Luiz. Para comer só quiche ressecada de estufa do café ou um desses lugares de firma em volta do hospital. Muito sono e uma conta salgada de estacionamento. Ela está se divertindo. Achando ótima toda atenção recebida, e aproveitando a oportunidade de dormir o dia todo e refeições na cama como se fosse um SPA 5 estrelas. Termino o dia pensando como eu não gostaria de uma internação de 3 dias. Precisava tanto de uma desculpa para sumir e desligar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

09 de Novembro de 2011

Fiz duas aulas seguidas de ballet. Fazia tempo que nada me dava tanta vontade de treinar, de aprender, de me superar. Ando longe, bem longe de posar de candidata ao Bolshoi. Mas eu gosto da meia ponta. Gosto da meia-calça. Dos exercícios de barra, do porte de princesa. De brincar de bailarina. Mesmo fazendo as sequências básicas, acho lindo. Gosto de quem sou de coque e sapatilha.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

04 de Novembro de 2011.

5 Barras de chocolate
1 Pote de Nutella
3 Miojos sabor Legumes
1 Pacote de pão de queijo congelado
1 Pacote de salgadinho de arroz japonês apimentado
3 Caixas de chá (sabores diversos)
1 Ramalhete de Gérberas

Eu nunca sei diferenciar quando estou triste ou quando estou deprimida. Como não tenho nenhum motivo para estar triste, imagino que esteja deprimida. O que acontece quando isso acontece é que eu fecho a ostrinha, desligo o celular. Como porcaria e durmo por dias. Bom, eu não tenho mais "dias" para dormir. Mas vou dormir o final de semana inteiro. E me entupir de gordura trans.