Comprei um buquê de flores para colocar no vaso em cima da mesa da sala. Um buquê de astromelias roxas que alegraram o ambiente por um par de dias. No final de semana começaram a despetalar. Engraçado que elas não murcharam, não perderam a cor. Simplesmente se despetalam aos poucos quando eu não estou olhando. Cada vez que passo por elas, recolho um tanto de pétalas mortas caídas sobre a mesa e jogo no lixinho da pia. Elas ainda parecem com um buquê, mas eu sei que os dias estão contados. Que em pouco tempo todas as pétalas ter-se-ão ido, e o que sobrará será um punhado de caules embolorados em uma água turva. Fico pensando em qual foi o exato momento que o buquê deixou de ter vida. O instante em que esse processo todo se iniciou. Aquele limite sem volta em que o vivo e vistoso condenou-se irreversivelmente ao destino árido de um vaso morto. E cheguei a conclusão que eu mesma não notei quando minha primeira pétala caiu sobre o tampo de madeira. Nesse final de semana me despetalei. Sem dor nenhuma. Como quando uma rajada de vento joga ao chão as pétalas soltas de astromelia da alma. Elas já estavam soltas, só precisavam de algo que as desprendessem. Seja o vento, seja a gravidade. Pétalas soltas caem. Agarrar-se à ilusão de que ainda são flores não vai fazer delas um buquê. Perdi a confiança em todo mundo que conheço. Não é um exagero. Perdi a confiança na minha família, nos meus amigos. Naqueles que eu tinha certeza que eram amigos. Amei tanto a beleza de um vaso florido, que nem percebi que ele não é mais vaso, não é mais flor. Ainda amo, embora não saiba o que eu ame. Não sei se amo a idéia de astromelias, ou se sou capaz de amar o lixo orgânico que elas se tornam. Confiança é uma pétala. Quando ela se desprende, nunca mais será flor novamente. É possível amar sem confiar?
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Angel
Hoje estou ressentida. Sério. Não é um sentimento bonito, eu sei. Mas é um sentimento, e acho que a gente está na brincadeira para sentir todos os sentimentos. Então hoje é ressentimento. Mas nada que cause muito espanto. Não estou ressentida da minha infância, ou de alguém em particular. Estou ressentida sim por não ter nascido com o corpo da Gisele Bündchen, ou da Alessandra Ambrosio. Estou ressentida por sofrer bullying da balança do banheiro. De não poder comer Chocottone com chocolate extra. Verdade que não é um grande ressentimento, e futilidades costumam ter datas marcadas. Mas se uma mulher alega nunca ter se ressentido de uma Victoria’s Secret Angel, está mentindo. Ou pior. É porque seus ressentimentos são muito mais sérios. E daí vem a amargura, o desencanto. Por aqui tento manter assim. Os ressentimentos fúteis, e os amores verdadeiros e profundos.
PS.: E só para registro, já que meus amores são profundos, comunico em tom de piada interna que “se é para o bem de todos e felicidade geral da estufa, diga às avencas que fico”. ;-)
domingo, 15 de janeiro de 2012
Toda a gente diferenciada
Já era 1h da manhã quando eu voltava para casa depois de um jantar e um longo papo com minha melhor amiga. Parei no farol da esquina da Angélica com a Sergipe. A mesma esquina da polêmica estação de metrô. A esquina do Pão de Açúcar e da "gente diferenciada". Na porta do supermercado estava sentado um bêbado segurando um copo de plástico. Ele estava encolhido, quase imperceptível, talvez na tentativa de chamar o mínimo de atenção e não ser enxotado da calçada. Pela porta saía um grupo animado de jovens. As meninas vestidas com saias curtinhas, brilhavam sob a luz pública, reluzindo glitter e gloss importado. Os rapazes, todos com os cabelos impecáveis. Exibiam músculos perfeitamente esculpidos dentro das mangas de suas camisetas brancas e coloridas. Ao fundo do grupo um rapaz loiro, com feições um pouco arrogantes, um pouco audaciosas. Feições que esses meninos "não-diferenciados" todos exibem antes de entrar em seus carros e dirigirem para clubes e discotecas. O menino loiro carregava uma garrafa de vodka. O mendigo estendeu o copinho de plástico pedindo um pouco da bebida. Me surpreendi com a prontidão com que o rapaz parou para atender o bêbado. Arrancou o lacre da garrafa, jogou no chão da calçada, e com esforço tentou abrir a garrafa. A garrafa não abria. O mendigo estava com os olhos fixos no rapaz, quase não respirava, com seu copo de plástico aguardando uma dose de anestésico. O rapaz olhava para os amigos. Tentava abrir a garrafa ignorando completamente a pessoa para quem se disponibilizava ajudar. Ele tentou. Tentou. A garrafa não abria. Então o rapaz loiro desistiu. Virou as costas e seguiu o grupo de amigos. Sem dizer nada. Sem se desculpar. Sem dar uma satisfação. Ele foi embora sem nem se dar conta de que o copinho de plástico continuava no ar esticado, e que a expressão no rosto do bêbado era de um desolamento de cortar o coração. Meu farol abriu mas eu estava tão chocada com a falta de respeito que eu havia testemunhado, que não segui. Dei ré, encostei na calçada e tirei a primeira nota que encontrei na carteira para o bêbado. Ele se assustou a princípio, mas depois pegou o dinheiro e me agradeceu. Me agradeceu diversas vezes, e continuou agradecendo a Deus e me acenando sorrindo mesmo depois, quando eu já estava com o vidro insulfilmado levantado, esperando mais uma vez o farol abrir na esquina diferenciada. Uma parte de mim se sente responsável por todo sofrimento e pelo dano que a bebida que aquele homem comprar com o dinheiro que eu dei possa fazer. Uma outra parte simplesmente não consegue ver uma pessoa ser ignorada e tratada como lixo. Tanta polêmica por dizerem que as pessoas são diferenciadas. Eu só vejo pessoas. Algumas agradecem a Deus, outras viravam as costas incapazes de olhar nos olhos daqueles a quem se dispuseram a ajudar. Naquela calçada só havia pessoas, e todas buscando serem anestesiadas.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Elevador
Eu parei no térreo para deixar uma tupperware com chocottone para os seguranças do prédio. Quando voltei o elevador subiu, em vez de descer para garagem. Fiquei brava, um pouco irritada. Fiquei apertando inutilmente o botão do 2S até que o elevador parou no 9o andar. A mulher que entrou estava chorando. Limpou as lágrimas com discrição, talvez amaldiçoando minha presença dentro do elevador da mesma maneira como amaldiçoei a viagem até lá em cima. Era uma mulher bonita, talvez uns 40 anos. Lábios grossos, olhos amendoados. O cabelo preto e brilhante preso em um rabo de cavalo alto perfeito. Estava bem vestida, com uma calça jeans escura, escarpin preto e um lindo sueter argyle rosa. Ela apertou o 6o andar, e continuava passando os dedos sob os olhos, disfarçando as lágrimas. Imaginei que alguém devesse ter partido o coração da mulher. Imaginei que esse alguém morasse também no nosso prédio. E lembrei que a última coisa que queremos é uma testemunha de nossas lágrimas quando nosso coração despedaça. Pensei que no meio do silêncio daquele elevador iam duas mulheres de coração castigado, e quando o espaço é tão pequeno, parece que o mundo todo se resume apenas a isso. Pensei em como era injusto aquilo. Resolvi que não ia lavar minhas mãos. As lágrimas continuavam teimosas, são muito impertinentes quando querem. Eu não queria ser a garota que a viu chorar no elevador. Então eu falei. Abri minha boca e falei. "Lindo o seu suéter!". A mulher se espantou por um segundo, depois abaixou o rosto até o peito, meio que lembrando qual era mesmo o suéter que estava usando e... sorriu. "Ele é diferente, né!?". Acenei que sim. Era diferente. A mulher sorriu e soltou de leve, quase imperceptivelmente a respiração. Talvez por um segundo ela tenha se esquecido do coração partido. Talvez por um segundo ela tenha se lembrado de todas as coisas que ela era além daquilo. Talvez por um segundo ela tenha se lembrado do dia em que comprou o suéter, da lojista lhe apresentando opções, do momento da escolha. Talvez por um segundo ela tenha pensado como tinha feito a escolha certa ao se vestir pela manhã. E se lembrado de que ela era uma mulher bonita, interessante, sofisticada. Ou talvez nada disso tenha se passado para ela. Mas quando a mulher desceu no 6o andar, o sorriso continuava lá.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
30 de Novembro de 2011.
Uma das maiores descobertas que tive na vida foi de que a gente só conquista liberdade quando estabelecemos limites. É. Meio antagônico. Mas juro que funciona. Fiquei pensando hoje de manhã nisso, enquanto eu tomava café e assistia o Renato Machado conversar comigo de Londres. Eu tenho um paladar bem próprio. Embora eu seja uma avestruz na arte de explorar sabores, tenho minhas predileções confortáveis que posso comer todos os dias. Sou bem conservadora, no fundo. Café da manhã para mim sempre foi: café com leite, pão com manteiga, mamão papaia e suco de laranja. Algumas variações como: requeijão ou geléia, aveia e mel na papaia, ou trocar o pãozinho fracês (nham, nham) pelo integral podem ocorrer. Mas no geral, esse é o café da manhã perfeito para mim. Então um dia o médico diz "sem lactose, sem glúten, sem corantes, sem morangos". (Morangos???) E o que sobra são todos os sabores que eu perdi enquanto estava ocupada demais com os mesmos sabores. Redescobri o arroz. E umas 532 diferentes formas de comê-lo. O mesmo com o milho. Ganhei o leite de soja. Eu torcia o nariz, não achava que combinava. Mas não é que fica melhor no cappuccino do que o leite de vaca!? Grão de bico, soja, quinua. E sinto sabor de infância todos os dias fazendo muito mais sucos naturais do que consumindo os de caixinha. Mas a maior de todas as conquistas: a tapioca! Livre de glúten, sempre me dá a sensação de café da manhã da pousadinha de Canoa Quebrada no meio de Pinheiros. Ando saltitando pelas pradarias dos cafés da manhã nunca dantes explorados. Isso é tanta liberdade, que até me esqueço dos limites que me colocaram.
sábado, 26 de novembro de 2011
26 de Novembro de 2011
Ando pensando em amigos, pessoas na nossa vida. Quem vem, quem vai. Sobre nossa dose de responsabilidadde sobre cada um deles. Sobre qual nossa parcela de culpa e irritabilidade.
Ando pensando na forma bizarra que o ser humano tem de viver. Na necessidade quase desesperada de relação, interação, comunhão. Na frágil singeleza do ser. Ando pensando o quanto as importâncias dadas são virtuais. E como são efêmeras as colunas de estrutura de nossos papéis, que são concreto puro dentro do que projetamos e necessitamos nos agarrar, mas que tão surpreendentemente ruem e desmoronam como glacê de bolo colorido na saliva de uma criança. Ando pensando em crianças. Na brutal inocência da criança. Na violenta autenticidade de caráter e plenitude de uma criança que senta nos degraus da escada e espera sua vez de brincar. Ando pensando, porque é exatamente isso que me abate. Ando pensando em algodão-doce.
Ando pensando na forma bizarra que o ser humano tem de viver. Na necessidade quase desesperada de relação, interação, comunhão. Na frágil singeleza do ser. Ando pensando o quanto as importâncias dadas são virtuais. E como são efêmeras as colunas de estrutura de nossos papéis, que são concreto puro dentro do que projetamos e necessitamos nos agarrar, mas que tão surpreendentemente ruem e desmoronam como glacê de bolo colorido na saliva de uma criança. Ando pensando em crianças. Na brutal inocência da criança. Na violenta autenticidade de caráter e plenitude de uma criança que senta nos degraus da escada e espera sua vez de brincar. Ando pensando, porque é exatamente isso que me abate. Ando pensando em algodão-doce.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
25 de Novembro de 2011
Fiquei assustada, óbvio. A gente não recebe esse tipo de coisa assim...
Vou começar a mentir o número de horas que trabalho por dia. Minha irmã está fazendo uma lista de colegas antroposóficos e psiquiatras homeopatas. Por que será que todo mundo sempre acha que eu preciso de um psiquiatra?
Estou na condicional. Tenho de mandar relatórios diários e prometer parar a cada 3 horas. Eu vou mentir. Lógico. Todo mundo mente nessas coisas.
Vou começar a mentir o número de horas que trabalho por dia. Minha irmã está fazendo uma lista de colegas antroposóficos e psiquiatras homeopatas. Por que será que todo mundo sempre acha que eu preciso de um psiquiatra?
Estou na condicional. Tenho de mandar relatórios diários e prometer parar a cada 3 horas. Eu vou mentir. Lógico. Todo mundo mente nessas coisas.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
22 de Novembro de 2011.
Na feira livre da praça hoje cedo:
- Olha lá, minha senhora! Comprando nessa barraca você ajuda as Casas André Luiz. Eu sou o André, ele é o Luiz.
- Olha lá, minha senhora! Comprando nessa barraca você ajuda as Casas André Luiz. Eu sou o André, ele é o Luiz.
sábado, 19 de novembro de 2011
19 de Novembro de 2011
- Eu quero cancelar o serviço.
- Qual seria o motivo?
- Bom... eu estou sem sinal há mais de uma semana. Entrei em contato com você, que até foram muito gentis em um primeiro momento. Agendaram para a assistência técnica vir resolver o problema. Eu acordei cedo, deixei de ficar com a minha mãe no hospital, fiquei plantada como uma palhaça o dia todo, e o técnico não apareceu. Quando entrei em contato com vocês me informaram que o técnico havia resolvido mudar o dia da visita. Sem me avisar! Para um dia que não seria permitido entrar no meu condomínio. Depois de inúmeras solicitações e ligações um atendente disse que resolveria a situação e ficou de me ligar em 10 minutos. Eu estou até agora esperando, então resolvi mudar para o concorrente. Por isso.
- (levantando a voz e transparecendo bastante impaciência) A Senhora veja bem, a assistência técnica é terceirizada e a gente não tem nada a ver com alteração da visita...
- Sinceramente, não me interessa a logistica interna de vocês. Eu quero cancelar o serviço.
- (mais exaltado) Ah! Então só a senhora fala, e eu não posso falar?
- Eu não estou pedindo explicações. Eu quero apenas cancelar o serviço.
- (tom sarcástico) Você é quem sabe... Qual endereço devo mandar o boleto de multa?
- Multa? Como assim multa?
- (rindo) Ah! Agora a senhora quer conversar! Antes não queria, agora eu tenho de explicar?
- Tem sim senhor! Eu não quero que o senhor me convença a não cancelar o serviço, mas o senhor tem de me explicar porque e o que está me cobrando para cancelar.
- (sarcástico) Será cobrada uma multa de fidelidade proporcional no valor de R$300.
- (indignada) Eu não vou pagar isso! Fidelidade de quê? De TV à cabo?
- (gritando) Olha, minha senhora! Eu vou mandar o boleto, se a senhora vai pagar ou não é problema seu. Eu não vou deixar de te cobrar a multa porque você está me ameaçando.
- Eu não estou ameaçando nada. Só acho que não tem propósito nenhum cobrar essa multa. Vocês não me ofereceram nenhuma exclusividade por ela.
- (gritando ainda mais) Está ameaçando! Está ameaçando sim!
- Você jura para mim que esse é o seu protocolo de atendimento? Que bater boca com o cliente que quer cancelar a conta faz parte do protocolo de atendimento? Jura mesmo que vai ficar batendo boca comigo?
- (cínico) Alô... Alô... Não estou ouvindo a senhora....
- Ok, faz o seguinte. Manda o boleto, mando o que for. Só quero me ver livre da SKY o mais rápido possível!
- Qual seria o motivo?
- Bom... eu estou sem sinal há mais de uma semana. Entrei em contato com você, que até foram muito gentis em um primeiro momento. Agendaram para a assistência técnica vir resolver o problema. Eu acordei cedo, deixei de ficar com a minha mãe no hospital, fiquei plantada como uma palhaça o dia todo, e o técnico não apareceu. Quando entrei em contato com vocês me informaram que o técnico havia resolvido mudar o dia da visita. Sem me avisar! Para um dia que não seria permitido entrar no meu condomínio. Depois de inúmeras solicitações e ligações um atendente disse que resolveria a situação e ficou de me ligar em 10 minutos. Eu estou até agora esperando, então resolvi mudar para o concorrente. Por isso.
- (levantando a voz e transparecendo bastante impaciência) A Senhora veja bem, a assistência técnica é terceirizada e a gente não tem nada a ver com alteração da visita...
- Sinceramente, não me interessa a logistica interna de vocês. Eu quero cancelar o serviço.
- (mais exaltado) Ah! Então só a senhora fala, e eu não posso falar?
- Eu não estou pedindo explicações. Eu quero apenas cancelar o serviço.
- (tom sarcástico) Você é quem sabe... Qual endereço devo mandar o boleto de multa?
- Multa? Como assim multa?
- (rindo) Ah! Agora a senhora quer conversar! Antes não queria, agora eu tenho de explicar?
- Tem sim senhor! Eu não quero que o senhor me convença a não cancelar o serviço, mas o senhor tem de me explicar porque e o que está me cobrando para cancelar.
- (sarcástico) Será cobrada uma multa de fidelidade proporcional no valor de R$300.
- (indignada) Eu não vou pagar isso! Fidelidade de quê? De TV à cabo?
- (gritando) Olha, minha senhora! Eu vou mandar o boleto, se a senhora vai pagar ou não é problema seu. Eu não vou deixar de te cobrar a multa porque você está me ameaçando.
- Eu não estou ameaçando nada. Só acho que não tem propósito nenhum cobrar essa multa. Vocês não me ofereceram nenhuma exclusividade por ela.
- (gritando ainda mais) Está ameaçando! Está ameaçando sim!
- Você jura para mim que esse é o seu protocolo de atendimento? Que bater boca com o cliente que quer cancelar a conta faz parte do protocolo de atendimento? Jura mesmo que vai ficar batendo boca comigo?
- (cínico) Alô... Alô... Não estou ouvindo a senhora....
- Ok, faz o seguinte. Manda o boleto, mando o que for. Só quero me ver livre da SKY o mais rápido possível!
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
17 de Novembro de 2011. (Ontem)
Na estação de Pirituba fizeram uma pintura de Michael Jackson menino. Duas jovens negras, muito bonitas e produzidas, estão vestidas para um inverno polar. Um ambulante passa vendendo chocolate. Sulflair à R$2. Um homem de meia idade está com uma sacola preta cheia de mercadorias chinesas para vender. Ele checa uma por uma, e abre as embalagens experimentando os produtos. Palhetas para limpador de parabrisas. Chaveiros de esqueletos fluorescentes nas cores laranja, amarelo e verde-limão. Dois ambulantes passam vendendo amendoins e chicletes. R$1. Eles se vão. Todos no vagão mastigam. O homem de meia idade mostra para um senhor careca de orelhas grandes os produtos. O senhor parece o Mr. Magoo. O homem de meia idade puxa uma cordinha de um chaveiro de caveira amarelo. A caveira bate o maxilar frenéticamente. O adolescente gordinho que está em pé na porta do trem se vira interessado no barulho. Uma mulher vestida com roupas esportivas de marca dos pés à cabeça insiste em ficar de pé no meio do vagão, embora haja assentos vagos. O homem de meia idade se levanta e se despede do senhor orelhudo. O senhor orelhudo possui uma aparência bastante digna. O homem de meia idade desembarca na estação Vila Clarice. A mulher de roupas esportivas também. O senhor orelhudo de aparência digna se ajeita no assento, ocupando dois lugares. Ele aperta uma narina com um dedo e assoa o nariz no ar. Toda sua dignidade se vai no assoalho do trem. A jovem com medo do frio polar chora.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
14 de Novembro de 2011.
Uma semana. Faz uma semana que meus canais favoritos da Sky estão digitalizados e impossíveis de serem assistidos. Uma semana. Só meus canais favoritos. Nada de "House", de "The Good Wife". Nada de ver o Agente Stabler em "Law and Order - SVU". Nada de assistir reprise de "Friends" ou meu sagrado noticiário matutino na Globo News. Nada de nada. Foram várias ligações até agendarem uma visita técnica para hoje, às 8h. Ou a partir das 8h. Meio de feriado, meio chato. Acordei, me troquei. Fiquei apresentável para a visita do doutor. Resumo da ópera: ele nunca veio. Então foram mais tantas ligações de protesto, muitos nervos exaltados e mãos perdidas com atendentes de robotizadas. Deus! Quem inventa esses protocolos de atendimento? Ninguém sabe ser flexível? Reclamei no Facebook. Reclamei no Twitter. Reclamei no "Reclame aqui" (afinal o nome pedia que eu reclamasse). Mais um tanto de ligações e eu perdi uma série de tijolinhos no céu por descarregar propositalmente minha raiva em pessoas que eu sabia "estavam fazendo apenas seu trabalho". Enfim, vou para retaliação final. Cancelo meu plano de serviços. Contrato a concorrente. E quando tudo parecia tão vingado, ligo a TV pela primeira vez no dia e... Todos os canais funcionando. Brilhando e sorrindo para mim.
domingo, 13 de novembro de 2011
13 de Novembro de 2011
Passei o dia limpando a casa. Faxina de verdade nessa minha nova fase "européia" de ser. Tirei pó, aspirei, passei pano no chão. Afofei as almofadas e lavei roupas. No final do dia estava tudo tão impecável que brilhava. Então recebo amigos em casa, o Dri veio com a Paçoca. Paçoca foi resgata me uma noite de terror, no escuro do centro, quando todos voltavam do Bar B para casa. Virou cã de estimação. E sem protesto algum, permiti que Paçoca comesse pipocas em cima do sofá. Como agradecimento, lambeu os dedos do meu pé sem parar. Estamos fazendo progressos no ramo das neuroses pessoais.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
10 de Novembro de 2011
Mami ressona na cama do hospital. Procedimento bobo de última hora, mas que deu internação, muita espera, horas de pé e a mudança do meu escritório de trabalho para um sofá no Hospital São Luiz. Para comer só quiche ressecada de estufa do café ou um desses lugares de firma em volta do hospital. Muito sono e uma conta salgada de estacionamento. Ela está se divertindo. Achando ótima toda atenção recebida, e aproveitando a oportunidade de dormir o dia todo e refeições na cama como se fosse um SPA 5 estrelas. Termino o dia pensando como eu não gostaria de uma internação de 3 dias. Precisava tanto de uma desculpa para sumir e desligar.
sábado, 5 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
04 de Novembro de 2011.
5 Barras de chocolate
1 Pote de Nutella
3 Miojos sabor Legumes
1 Pacote de pão de queijo congelado
1 Pacote de salgadinho de arroz japonês apimentado
3 Caixas de chá (sabores diversos)
1 Ramalhete de Gérberas
Eu nunca sei diferenciar quando estou triste ou quando estou deprimida. Como não tenho nenhum motivo para estar triste, imagino que esteja deprimida. O que acontece quando isso acontece é que eu fecho a ostrinha, desligo o celular. Como porcaria e durmo por dias. Bom, eu não tenho mais "dias" para dormir. Mas vou dormir o final de semana inteiro. E me entupir de gordura trans.
1 Pote de Nutella
3 Miojos sabor Legumes
1 Pacote de pão de queijo congelado
1 Pacote de salgadinho de arroz japonês apimentado
3 Caixas de chá (sabores diversos)
1 Ramalhete de Gérberas
Eu nunca sei diferenciar quando estou triste ou quando estou deprimida. Como não tenho nenhum motivo para estar triste, imagino que esteja deprimida. O que acontece quando isso acontece é que eu fecho a ostrinha, desligo o celular. Como porcaria e durmo por dias. Bom, eu não tenho mais "dias" para dormir. Mas vou dormir o final de semana inteiro. E me entupir de gordura trans.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
02 de Novembro de 2011
Das coisas que eu mais gosto na vida: Ficar na cama de manhãzinha acordada.
Nada dessa coisa de acordar e levantar, trocar de roupa, começar a vida. Bom mesmo é acordar, espreguiçar, espreitar as horas no despertador da cabeceira de cantinho de olho, com a cara ainda enfiada no travesseiro, sentindo o aroma do amaciante de roupas no lençol da cama. Rolar para o outro lado e sentir o lençol mais gelado. A cama é queen, mas vazia. A Rainha é virgem e dorme sozinha. Gosto de tentar adivinhar como está o clima lá fora, pela fresta da cortina na janela. Planejar o café da manhã. Pensar em coisas legais para fazer no dia.
Das coisas que eu mais gosto na vida: só são possíveis de forma esporádica. Em feriados, casamentos, funerais e batizados. Senão perderia a graça.
Nada dessa coisa de acordar e levantar, trocar de roupa, começar a vida. Bom mesmo é acordar, espreguiçar, espreitar as horas no despertador da cabeceira de cantinho de olho, com a cara ainda enfiada no travesseiro, sentindo o aroma do amaciante de roupas no lençol da cama. Rolar para o outro lado e sentir o lençol mais gelado. A cama é queen, mas vazia. A Rainha é virgem e dorme sozinha. Gosto de tentar adivinhar como está o clima lá fora, pela fresta da cortina na janela. Planejar o café da manhã. Pensar em coisas legais para fazer no dia.
Das coisas que eu mais gosto na vida: só são possíveis de forma esporádica. Em feriados, casamentos, funerais e batizados. Senão perderia a graça.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
27 de Outubro de 2011
Hoje a Shei vem para cá. Passar o final de semana comigo em casa. Gosto tanto de receber gente em casa. Gosto tanto de ficar muito tempo com minhas amigas. Às vezes sinto falta, sinto sozinha. Vontade de voltar à adolescência quando os amigos ficavam juntos unha-carne, o tempo todo. Por mais que eu ame a solidão e a privacidade de morar sozinha, sinto como se a minha existência só fosse válida quando estou com o outro. Shei chega hoje para validar minha existência. Nós não vamos escrever na agenda, ou pentear o cabelo uma da outra. Mas vamos ser amigas, daquela maneira que só as meninas conseguem às vezes.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
26 de Outubro de 2011
Às vezes parece que eu só reclamo. Sou uma rabugenta! Por que depois de decidir fazer algo eu preciso achar um defeito? Por que tenho de estar sempre ou muito cansada, ou arrpendida, ou entediada, ou simplesmente desatachada e só? Talvez seja só meu inconciente acostumado às decepções. Talvez seja ele querendo me deixar protegida, me abraçando igual a mãe de filho único dizendo fica-aqui-que-nada-vai-te-acontecer. Talvez se eu não me empolgar com nada, não tenho nada a perder. Mas eu tenho. Tenho vida. E isso já é tudo o que se pode perder e se arrepender. Nenhum homem é uma ilha. Nenhuma mulher é um continente.
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