terça-feira, 22 de novembro de 2011

Notas no fim de um dia

O café ao lado do meu escritório é o máximo. O café em si é ótimo e quando eu peço um carioca eles me dão um expresso com uma chaleirinha com água quente que é um charme. O pão de queijo, os lanches e os bolos são uma delícia. E o melhor desse café: os funcionários. São descontraídos e educados. Quando eu peço café para viagem eles preparam no maior capricho. E quando a gente dá caixinha, eles gritam em coro: "obrigado". Alegram o meu dia.

Ah, o ascensorista do meu prédio também é muito bacana. Fico feliz quando vejo que é ele quem vai me guiar até o terceiro andar (não, eu desço pela escada).

Da dificuldade de se educar um filho

1. O melhor aluno da escola queria estudar Engenharia na USP e foi, mas demorou mais tempo do que os outros alunos para se formar, pois as drogas e as festas descobertas na faculdade lhe tomaram uns dois anos.
2. A melhor aluna da classe estudou desde criança para ser médica e passou no Vestibular de uma excelente universidade pública, mas morreu no final do quinto ano da faculdade.
3. O maconheiro queria fazer esses cursos de bicho-grilo, claro, e fez. Tornou-se professor do Ensino Médio, depois da própria universidade onde estudou, depois casou e abriu uma empresa de consultoria e hoje está rico e feliz com seu trabalho.
4. A aluna média mas extremamente responsável e preocupada com o que pensam dela começou uma faculdade e largou, terminou duas e pensa em fazer a terceira, mas não sabe bem qual.
5. O garoto que só ia bem nas aulas de Educação Física não virou atleta, mas se apaixonou e foi trabalhar para pedir a namorada em casamento. Hoje sustenta a família com sua pequena empresa.
6. O bagunceiro que foi expulso de duas escolas um dia resolveu estudar para o vestibular de Medicina e fez dois anos de cursinho. A notícia de que havia sido aprovado numa faculdade pública chegou quinze dias depois da sua morte.
7. O menino que queria ser executivo e um dia presidente de uma empresa multinacional fez faculdade de engenharia, especialização em administração e MBA e hoje, tão novinho, já é diretor da multinacional em que escolheu trabalhar.

sábado, 19 de novembro de 2011

19 de Novembro de 2011

- Eu quero cancelar o serviço.
- Qual seria o motivo?
- Bom... eu estou sem sinal há mais de uma semana. Entrei em contato com você, que até foram muito gentis em um primeiro momento. Agendaram para a assistência técnica vir resolver o problema. Eu acordei cedo, deixei de ficar com a minha mãe no hospital, fiquei plantada como uma palhaça o dia todo, e o técnico não apareceu. Quando entrei em contato com vocês me informaram que o técnico havia resolvido mudar o dia da visita. Sem me avisar! Para um dia que não seria permitido entrar no meu condomínio. Depois de inúmeras solicitações e ligações um atendente disse que resolveria a situação e ficou de me ligar em 10 minutos. Eu estou até agora esperando, então resolvi mudar para o concorrente. Por isso.
- (levantando a voz e transparecendo bastante impaciência) A Senhora veja bem, a assistência técnica é terceirizada e a gente não tem nada a ver com alteração da visita...
- Sinceramente, não me interessa a logistica interna de vocês. Eu quero cancelar o serviço.
- (mais exaltado) Ah! Então só a senhora fala, e eu não posso falar?
- Eu não estou pedindo explicações. Eu quero apenas cancelar o serviço.
- (tom sarcástico) Você é quem sabe... Qual endereço devo mandar o boleto de multa?
- Multa? Como assim multa?
- (rindo) Ah! Agora a senhora quer conversar! Antes não queria, agora eu tenho de explicar?
- Tem sim senhor! Eu não quero que o senhor me convença a não cancelar o serviço, mas o senhor tem de me explicar porque e o que está me cobrando para cancelar.
- (sarcástico) Será cobrada uma multa de fidelidade proporcional no valor de R$300.
- (indignada) Eu não vou pagar isso! Fidelidade de quê? De TV à cabo?
- (gritando) Olha, minha senhora! Eu vou mandar o boleto, se a senhora vai pagar ou não é problema seu. Eu não vou deixar de te cobrar a multa porque você está me ameaçando.
- Eu não estou ameaçando nada. Só acho que não tem propósito nenhum cobrar essa multa. Vocês não me ofereceram nenhuma exclusividade por ela.
- (gritando ainda mais) Está ameaçando! Está ameaçando sim!
- Você jura para mim que esse é o seu protocolo de atendimento? Que bater boca com o cliente que quer cancelar a conta faz parte do protocolo de atendimento? Jura mesmo que vai ficar batendo boca comigo?
- (cínico) Alô... Alô... Não estou ouvindo a senhora....
- Ok, faz o seguinte. Manda o boleto, mando o que for. Só quero me ver livre da SKY o mais rápido possível!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Encontros

Chile, Argentina, Venezuela e Brasil encontraram-se para comer camarão na moranga - oferecido e feito pela Venezuela para fazer uma festa de despedida para Argentina, que está de mudança para o futuro reino de Kate e William.
Na verdade, somente tres puderam degustar a iguaria, pois Chile marcava sua presença de maneira virtual, via Skype, pois já retornou para a terra natal de seu marido Suiça, levando, obviamente, seus filhos Suiça Jr e Brasilzinho.
Este encontro, não era o primeiro e muito provavelmente não será o último deles. Mas foi único.
Depois de quatro anos de convivencia intensa, cada um dos presentes estava começando a trilhar um caminho diverso daquele que, como já dito, compartilharam nos últimos quatro anos.
Chile foi falar francês...
Argentina vai aprimorar seu inglês...
Venezuela busca carteira assinada...
Brasil virou avó e vai escrever...
E a saudade vai apertar. Ô se vai...

Não atirem no humorista. FolhaSP 18/11/2011.

TENDÊNCIAS/DEBATES

Não atirem no humorista

EDUARDO MUYLAERT



O humor é livre no Brasil. Sua dignidade constitucional foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal como parte da liberdade de expressão e de criação artística.
O direito ao sarcasmo foi garantido na chamada "Adin do Humor", relatada pelo ministro Ayres Britto. A superada Lei de Imprensa já não tinha mais eficácia. A liminar de 2010 veio suspender regra da lei eleitoral que cerceava pilhérias envolvendo candidatos.
"Nós vamos liberar o humor", diz o ministro Ricardo Lewandowski. "Mas vedar o humor? Isso é uma piada", lança o ministro Peluso.
O presidente do STF já julgara, no Tribunal de Justiça paulista, que não se pode reprimir aos humoristas profissionais e à imprensa, ainda quando demasiadas na forma e cáusticas no conteúdo, as expressões artísticas sob as quais exercitam o direito da crítica.
Decorre da liberdade constitucional do humor que eventual excesso é preferível a qualquer censura ou repressão, pois é próprio do humor o exagero, a hipérbole. E o simples fato de alguém eventualmente se sentir ferido não pode restringir a atividade, dada a índole subjetiva das reações individuais.
Muitos objetam com os possíveis excessos, mas a jurisprudência se inclina claramente pela liberdade. Para o STJ, não cabe aos tribunais dizer se o humor praticado é popular ou inteligente, de bom ou de mau gosto, classificação considerada discriminatória e odiosa no voto da ministra Nancy Andrighi. Só a crítica pode avaliar o humor, reconhecido como atividade artística.
As pilhérias envolvendo políticos, policiais, jogadores de futebol, atrizes, entre outros tantos, revelam que o tempo da censura está ultrapassado. Até mesmo a figura do presidente da República tem sido objeto de humor.
A liberdade de expressão incomoda, e sempre houve tentativas de cercear sua atividade.
Quem não se lembra da perseguição aos que ironizavam a ditadura? E das ameaças aos que brincaram com o profeta ou com a religião?
Todas as vezes em que a sociedade optou pela repressão, escreveu páginas trágicas. Nova York pediu tardiamente desculpas pela prisão de Lenny Bruce, comediante cujo humor não tinha sequer a ousadia da comédia das noites de sábado.
A liberdade é essencial ao humor. É próprio do humor o contrassenso, o absurdo, o contrário de tudo que é tido como normal. Parte da graça de um comediante, ensina um manual, é que pode dizer coisas que uma pessoa normal não pode ou não quer dizer.
A crítica, a discussão na imprensa e a opinião pública é que poderão servir de parâmetro para essa nova geração de humoristas, que, às vezes, exageram ao brincar com fatos históricos ou valores sobre os quais não pararam para refletir.
A questão da liberdade do humor é séria. Não se pode levar a sério o que é mero humor, produzido num contexto de humor, com a intenção apenas de fazer rir. Essa liberdade a Constituição assegura e nossos tribunais garantem.

17 de Novembro de 2011. (Ontem)

Na estação de Pirituba fizeram uma pintura de Michael Jackson menino. Duas jovens negras, muito bonitas e produzidas, estão vestidas para um inverno polar. Um ambulante passa vendendo chocolate. Sulflair à R$2. Um homem de meia idade está com uma sacola preta cheia de mercadorias chinesas para vender. Ele checa uma por uma, e abre as embalagens experimentando os produtos. Palhetas para limpador de parabrisas. Chaveiros de esqueletos fluorescentes nas cores laranja, amarelo e verde-limão. Dois ambulantes passam vendendo amendoins e chicletes. R$1. Eles se vão. Todos no vagão mastigam. O homem de meia idade mostra para um senhor careca de orelhas grandes os produtos. O senhor parece o Mr. Magoo. O homem de meia idade puxa uma cordinha de um chaveiro de caveira amarelo. A caveira bate o maxilar frenéticamente. O adolescente gordinho que está em pé na porta do trem se vira interessado no barulho. Uma mulher vestida com roupas esportivas de marca dos pés à cabeça insiste em ficar de pé no meio do vagão, embora haja assentos vagos. O homem de meia idade se levanta e se despede do senhor orelhudo. O senhor orelhudo possui uma aparência bastante digna. O homem de meia idade desembarca na estação Vila Clarice. A mulher de roupas esportivas também.  O senhor orelhudo de aparência digna se ajeita no assento, ocupando dois lugares. Ele aperta uma narina com um dedo e assoa o nariz no ar. Toda sua dignidade se vai no assoalho do trem. A jovem com medo do frio polar chora.

Frases bem ditas

"Eu te amo", sempre. Se você diz "eu te amo" é porque existe alguém que te conquistou e que torna o mundo melhor para você.

"Estou com saudades" significa que você guarda pessoas, coisas, momentos, sensações e lugares no coração.

"Obrigado". Alguém fez alguma coisa por você, pequena, grande ou enorme, mas algo foi feito para você.

E a que eu mais gosto: "amigo de infância". Ter um amigo desde a infância é ter encontrado uma parte de você que não tem seu sangue, mas tem parte da sua alma.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Morte minguante

Se eu morrer agora...

Nada indica que eu vá morrer agora. Estou na sala de uma casa rodeada de pastos por onde circulam também cachorros e pássaros, numa região em tempos de paz, longe da estrada e da rota dos aviões. Só umas mariposas à procura da luz que me serve passam por cima da minha cabeça silenciosa.

Choveu o dia todo. Duvido que alguma palha fugida de um cigarro aceso possa colocar no mato um fogo capaz de me encontrar aqui parada. Não ouço mais trovões e ao redor dessa casinha a árvore mais alta é uma roseira.

Sinto meus órgãos e células em bom funcionamento. Nenhum câncer sorrateiro me corrói, o colesterol está como deveria estar e a pressão...não há nenhuma pressão por aqui. Pareço uma menina, foi o médico quem disse.

Então é quase impossível que eu enfarte agora, sentada à mesa de jantar em frente a um bloco de papel e uma caneta. Com exceção de um tio que sofreu um derrame no meio da noite, todos aqueles que carregaram o meu sangue antes de mim morreram porque chegaram ao fim. Portanto é pouco provável que o fim chegue até mim e chegue agora.

Mas, como não duvido da criatividade da vida e das razões da natureza, se eu morrer agora, vou tomada por essa alegria que nos pega distraídos no dobrar de uma esquina como uma lufada, mas com a delicadeza de um assopro. Essa alegria que entra pelos dedos dos pés e das mãos e caminha como se andasse sobre pétalas de rosas até o útero, centro da existência. Essa alegria tão quentinha quanto uma família reunida debaixo de uma lâmpada para dividir o pão fresco no fim de uma tarde fria e chuvosa.

É difícil que eu vá, mas se eu morrer agora, levo grudada na retina essa lua minguante que do lado de lá da janela me seduz e me reduz.

Quando eu era criança, gostava de ouvir minha avó dizer tão molemente a palavra “minguante”. Eu ficava ali agarrada à sua saia, olhando para cima na esperança ainda vã de que um pedacinho quente e dourado da lua escorresse até as minhas mãos.

Essa mesma lua minguante que hoje aponta para o nascer de um sol que, eu sei, me esquentará amanhã, mas se eu morrer agora...

Luciana Gerbovic
Outubro/2011

Constatação

Acho que estou na contramão.

Pensamento do dia

É difícil manter o peso, dificílimo perder.
É difícil ganhar dinheiro. Pra mim, então, muito difícil.
É difícil manter o casamento. Muito muito difícil.
É difícil criar filhos. A missão mais difícil de todas.
É difícil manter a casa limpa e arrumada. Quase impossível arranjar alguém para trabalhar nela enquanto eu trabalho fora.
É difícil arranjar tempo para ler, escrever, namorar, passear, sair com os amigos.
É difícil encarar o trânsito de uma cidade super lotada de pessoas e coisas.
É difícil viver com a violência urbana e a falta de ética.

Uma coisinha fácil. Eu queria apenas uma coisinha fácil de se conseguir.