Quem procura, acha.
Pode até ser que voce não entenda o que encontrou, mas está lá. Pediu? Levou!
Deve ser o que chamam de "universo conspirando a favor". Dá um pouco de medo, imaginar que tudo isso, acima das nossas cabeças e que continua até sei-la-eu-onde, conspire a favor. Já pensou se conspirasse contra?
Deve ter sido por causa de uma conspiração deste tipo que ele apareceu.
Bonitão, loiro - parece que até aquele momento ninguém era tão bonito quanto ele - herdeiro de reinos e honras. Um verdadeiro cavaleiro, à moda antiga mesmo. Só ele não sabia disto. Ainda.
Mãe superprotetora - até aqui, nada novo - em um momento de sua vida, nosso jovem rapaz resolve abrir suas asinhas. Mãe tem que ter limite. Se não tem, os filhotes pulam fora. Foi o que ele fez.
Tolo, como deve ser um jovem, iniciou seu caminho de libertação montado em algo que muito dificilmente chamariam de cavalo. O bicho era um horror...
Pocotó aqui... pocotó acolá, essa historia que dura anos e anos de estrada teve de tudo: coragem, traição, bruxas, fadas, arrependimento - todos os ingredientes para uma novela das oito. Ou das seis. Detalhes mais minuciosos, o Google pode contar.
Agora, prá desvendar... o esforço terá que ser maior.
Parece que estou no início desta jornada...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Margarida
Ela não gostava do seu nome. Achava que não combinava com sua pele ainda sem uma ruga. Suas xarás já eram tias-avós, na escola seu nome era pronunciado pelos colegas acompanhado de um risinho ou com uma voz de pato esganiçada. Pensou em se dar um apelido, mas não gostava de Marga ou Guida. Queria mesmo era se chamar Beatriz para poder ser Bia. Soava tão bem aos seus ouvidos: Biii...aaa.
Sua mãe escolhera o nome em homenagem à flor, seu pai não se opôs, apesar de preferir as orquídeas. “Margaridas são tão comuns”. Ela mesma não sabia qual era sua flor predileta, talvez nem gostasse de flores. Preferia os gatos que se enroscavam nas suas pernas e pediam por água e comida. Para piorar, era feia, e toda mulher com nome de flor tem a obrigação de ser bonita. Seu cabelo ficou indeciso entre o liso materno e o crespo paterno. Não era loira como a mãe nem morena como o pai. Os olhos castanhos ficavam levemente verdes sob a luz do sol, mas faltava um brilho, já tinha até perguntado para a mãe se não teria catarata. A mãe mandou a menina passear. E para piorar ainda mais, as espinhas tinham deixado marcas não só no seu rosto, mas também em todo o seu colo. Que espécie de margarida era ela? Um bem-me-quer que parecia terminar em mal-me-quer. Enquanto as amigas choravam pelos primeiros namorados, Margarida lia os romances da Danielle Steel, escritora preferida da sua mãe, e acompanhava a novela das nove com aflição até o capítulo final. Por que as mocinhas sofriam tanto para se casar com o galã? Dos romances se interessou por poesia, aprendeu a recitar algumas, em voz quase inaudível, e conquistou o sorriso de um colega que gostava do mesmo poema que ela.
No final da adolescência, algumas flores secas de Margarida caíram, o caule cresceu um pouco mais e tomou uma forma robusta, de planta madura que floresce quando a natureza determina e não quando quer. Do colega ganhou o primeiro beijo e o primeiro toque nos seios, por cima da blusa, como se fosse um descuido. Margarida fingiu que não percebeu. Ela sabia que beijos melhores ainda viriam, mas aquele havia virado uma tatuagem. Nessa noite não dormiu. Passou a madrugada inteira alisando Pablo, o gato de pelos alaranjados, e sussurrando nos ouvidos do bichano “eu beijei eu beijei eu beijei eu beijei”. Escreveu sua primeira poesia, com rimas pobres e nenhuma métrica, mas assim como os beijos melhores que viriam, outras ainda seriam desenhadas.
E os beijos vieram, com o mesmo colega que sorria ao ouvir poesia e que também a levava ao cinema, brincava com cachorros e gatos, passeava com ela de mãos dadas, pagava as contas nas lanchonetes e a pediu em casamento. Margarida passara tanto tempo pensando na sua feiura que nunca se imaginara vestida de noiva. Escolheu um modelo rendado quase infantil e cedeu à vontade da mãe, adornando os cabelos soltos e escovados com uma tiara de margaridas naturais. Nos pés, uma sapatilha branca que lembrava a das bailarinas que ela admirava e nunca conseguira imitar. Quando chegou ao altar, com as mãos geladas agarradas às do pai, o marido, com os olhos marejados, sussurrou ao seu ouvido um “você está linda” e Margarida sorriu, acreditando. Se ela estivesse na frente de um espelho, veria seus olhos brilharem.
Margarida não sabia como ser uma esposa. Continuou no seu trabalho de secretária durante o dia e quando chegava em casa à noite, depois de um metrô e um ônibus, preparava o jantar que eles comeriam juntos, lavava e passava as roupas enquanto via a novela e estava sempre disposta quando ele a procurava. Ela gostava. Antes de dormir, pingava atrás das orelhas duas gotinhas de um perfume delicado extraído de flores naturais. O marido a chamava de “minha Margarida” e ela não sabia, mas era feliz nesse jardim.
Nos finais de semana eles se dividiam na faxina, visitavam os familiares, caminhavam no parque, iam ao cinema e liam poesias juntos. Ela aprendeu a beber um pouco de vinho, uma taça quando os amigos do marido iam a sua casa comer uma pizza. Margarida ria com eles e até passou a trocar confidências com as esposas. Quando elas reclamavam das dificuldades do casamento, Margarida sorria e olhava para o marido no outro lado da sala, com vontade de abraçá-lo. Talvez ela ainda não tivesse aprendido a ser uma esposa verdadeira.
Numa noite em que se preparavam para dormir, ela afofando os travesseiros e esticando o lençol com as mãos, ele disse que queria um filho. Margarida correu para o banheiro segurar o choro. Não se sentia preparada para ser mãe nem para contar a ele. Quando confirmou que estava grávida, um mês depois, engoliu as lágrimas amedrontadas para não estragar a alegria do marido. Ela teria nove meses para se acostumar com a ideia de um bebê crescendo dentro dela e isso aconteceu logo que ela ganhou da sogra os primeiros sapatinhos. Margarida passou dias com eles na bolsa e sempre que se via sozinha, no escritório, no refeitório, no ônibus ou em casa, ela vestia aqueles sapatinhos nos dedos indicador e médio e os balançava. Margarida perdeu a vergonha de cantar, comprou livros de histórias infantis e pediu para a mãe lhe ensinar tricô. Juntas fizeram mantas, casaquinhos, meias e mais sapatos. O chefe deu o berço que ela queria, todo branco, e as colegas do escritório deram mamadeiras, chupetas e muitos pacotes de fralda. Foi Magda, a outra secretária e mãe de duas crianças, quem disse que ela precisaria de muitas. Margarida achou um exagero, mas opiniões como essa ficavam guardadas na sua cabeça. Em retribuição, Margarida sorria e levava um bolo de cenoura com cobertura de chocolate feito por ela para o café da tarde. O chefe era quem mais comia.
Margarida acompanhou o crescimento da barriga todos os dias, de manhã e à noite. Pensava nas fases da lua e achava seu ventre ainda mais bonito. Passou a rir quando deixou de enxergar seus pés. Achou estranho quando sentiu o bebê se mexer pela primeira vez, lembrou de um filme com uma mulher grávida de um alienígena, mas esse foi outro pensamento que ficou guardado na sua cabeça. Depois acostumou.
Antes de dormir, Margarida e o marido acariciavam a barriga de lua e imaginavam como seria o bebê. O maior medo de Margarida era que ele tivesse seus olhos. O marido a beijava e a chamava de boba. Haviam decidido juntos não saber o sexo da criança com antecedência. “Pra quê?”, era o que Margarida respondia diante da ansiedade dos parentes e amigos. Ela passou a entender porquê as gestantes dizem que o importante é que a criança nasça com saúde. Queria seu bebê respirando e depois sorrindo. Os detalhes, ah, esses viriam com o tempo e o maior desejo de Margarida era poder observar essas descobertas.
Os dois montaram o berço e a cômoda. Margarida costurou a cortina e o marido deixou a parede amarela, tão clarinha quanto um raio de sol no inverno. Depois do jantar, os dois passavam uns tantos minutos olhando para as paredes e para o berço, cada um guardando seus próprios segredos.
Com quarenta semanas de gestação, o médico sugeriu uma cesárea. Margarida não entendia essa interferência. “Vai sair, ele vai sair”. Foi depois de um almoço na casa da mãe que Margarida sentiu uma cólica forte. Que aumentou. E aumentou mais. Uma dor assim, só podia ser a vida querendo romper. O marido não conseguia colocar a chave no contato, foi o pai quem a levou para a maternidade, o marido segurando sua mão. Margarida respirava.
Um grito saído de um fundo que Margarida não sabia existir e a vida rebentou, pequena e luminosa, forte e decidida. Um clarão, um estrondo. Deus. Então era isso. É para isso que vivemos? É esse o grande mistério da vida? Deus falava com ela por meio do choro de uma criança. A vida fazia sentido. “É uma menina”. Onde estavam os olhos de catarata?
Nos seus braços, Margarida encontrou o que nem sabia que procurava. Deus pode ter nos inventado, mas não viu nenhuma pessoinha sair de suas entranhas. O mundo ficou pequeno. Aquele momento era o epítome da vida humana.
A menina mantinha os olhinhos fechados e não chorava. Era a mais bela criatura que Margarida já havia visto em toda a natureza, mais bonita até do que os olhos das onças que admirava desde criança. Mais arrebatadora do que qualquer poesia já escrita. Mais nobre do que a arte. Mais encantadora do que as manhãs de outono no parque. Mais entorpecente do que uma taça de vinho. Mais cheirosa do que perfumes florais. Mais brilhante do que uma estrela que apelidou de “minha”. Nomeou-a Jasmim. Uma beleza assim só pode receber um nome de flor.
Sua mãe escolhera o nome em homenagem à flor, seu pai não se opôs, apesar de preferir as orquídeas. “Margaridas são tão comuns”. Ela mesma não sabia qual era sua flor predileta, talvez nem gostasse de flores. Preferia os gatos que se enroscavam nas suas pernas e pediam por água e comida. Para piorar, era feia, e toda mulher com nome de flor tem a obrigação de ser bonita. Seu cabelo ficou indeciso entre o liso materno e o crespo paterno. Não era loira como a mãe nem morena como o pai. Os olhos castanhos ficavam levemente verdes sob a luz do sol, mas faltava um brilho, já tinha até perguntado para a mãe se não teria catarata. A mãe mandou a menina passear. E para piorar ainda mais, as espinhas tinham deixado marcas não só no seu rosto, mas também em todo o seu colo. Que espécie de margarida era ela? Um bem-me-quer que parecia terminar em mal-me-quer. Enquanto as amigas choravam pelos primeiros namorados, Margarida lia os romances da Danielle Steel, escritora preferida da sua mãe, e acompanhava a novela das nove com aflição até o capítulo final. Por que as mocinhas sofriam tanto para se casar com o galã? Dos romances se interessou por poesia, aprendeu a recitar algumas, em voz quase inaudível, e conquistou o sorriso de um colega que gostava do mesmo poema que ela.
No final da adolescência, algumas flores secas de Margarida caíram, o caule cresceu um pouco mais e tomou uma forma robusta, de planta madura que floresce quando a natureza determina e não quando quer. Do colega ganhou o primeiro beijo e o primeiro toque nos seios, por cima da blusa, como se fosse um descuido. Margarida fingiu que não percebeu. Ela sabia que beijos melhores ainda viriam, mas aquele havia virado uma tatuagem. Nessa noite não dormiu. Passou a madrugada inteira alisando Pablo, o gato de pelos alaranjados, e sussurrando nos ouvidos do bichano “eu beijei eu beijei eu beijei eu beijei”. Escreveu sua primeira poesia, com rimas pobres e nenhuma métrica, mas assim como os beijos melhores que viriam, outras ainda seriam desenhadas.
E os beijos vieram, com o mesmo colega que sorria ao ouvir poesia e que também a levava ao cinema, brincava com cachorros e gatos, passeava com ela de mãos dadas, pagava as contas nas lanchonetes e a pediu em casamento. Margarida passara tanto tempo pensando na sua feiura que nunca se imaginara vestida de noiva. Escolheu um modelo rendado quase infantil e cedeu à vontade da mãe, adornando os cabelos soltos e escovados com uma tiara de margaridas naturais. Nos pés, uma sapatilha branca que lembrava a das bailarinas que ela admirava e nunca conseguira imitar. Quando chegou ao altar, com as mãos geladas agarradas às do pai, o marido, com os olhos marejados, sussurrou ao seu ouvido um “você está linda” e Margarida sorriu, acreditando. Se ela estivesse na frente de um espelho, veria seus olhos brilharem.
Margarida não sabia como ser uma esposa. Continuou no seu trabalho de secretária durante o dia e quando chegava em casa à noite, depois de um metrô e um ônibus, preparava o jantar que eles comeriam juntos, lavava e passava as roupas enquanto via a novela e estava sempre disposta quando ele a procurava. Ela gostava. Antes de dormir, pingava atrás das orelhas duas gotinhas de um perfume delicado extraído de flores naturais. O marido a chamava de “minha Margarida” e ela não sabia, mas era feliz nesse jardim.
Nos finais de semana eles se dividiam na faxina, visitavam os familiares, caminhavam no parque, iam ao cinema e liam poesias juntos. Ela aprendeu a beber um pouco de vinho, uma taça quando os amigos do marido iam a sua casa comer uma pizza. Margarida ria com eles e até passou a trocar confidências com as esposas. Quando elas reclamavam das dificuldades do casamento, Margarida sorria e olhava para o marido no outro lado da sala, com vontade de abraçá-lo. Talvez ela ainda não tivesse aprendido a ser uma esposa verdadeira.
Numa noite em que se preparavam para dormir, ela afofando os travesseiros e esticando o lençol com as mãos, ele disse que queria um filho. Margarida correu para o banheiro segurar o choro. Não se sentia preparada para ser mãe nem para contar a ele. Quando confirmou que estava grávida, um mês depois, engoliu as lágrimas amedrontadas para não estragar a alegria do marido. Ela teria nove meses para se acostumar com a ideia de um bebê crescendo dentro dela e isso aconteceu logo que ela ganhou da sogra os primeiros sapatinhos. Margarida passou dias com eles na bolsa e sempre que se via sozinha, no escritório, no refeitório, no ônibus ou em casa, ela vestia aqueles sapatinhos nos dedos indicador e médio e os balançava. Margarida perdeu a vergonha de cantar, comprou livros de histórias infantis e pediu para a mãe lhe ensinar tricô. Juntas fizeram mantas, casaquinhos, meias e mais sapatos. O chefe deu o berço que ela queria, todo branco, e as colegas do escritório deram mamadeiras, chupetas e muitos pacotes de fralda. Foi Magda, a outra secretária e mãe de duas crianças, quem disse que ela precisaria de muitas. Margarida achou um exagero, mas opiniões como essa ficavam guardadas na sua cabeça. Em retribuição, Margarida sorria e levava um bolo de cenoura com cobertura de chocolate feito por ela para o café da tarde. O chefe era quem mais comia.
Margarida acompanhou o crescimento da barriga todos os dias, de manhã e à noite. Pensava nas fases da lua e achava seu ventre ainda mais bonito. Passou a rir quando deixou de enxergar seus pés. Achou estranho quando sentiu o bebê se mexer pela primeira vez, lembrou de um filme com uma mulher grávida de um alienígena, mas esse foi outro pensamento que ficou guardado na sua cabeça. Depois acostumou.
Antes de dormir, Margarida e o marido acariciavam a barriga de lua e imaginavam como seria o bebê. O maior medo de Margarida era que ele tivesse seus olhos. O marido a beijava e a chamava de boba. Haviam decidido juntos não saber o sexo da criança com antecedência. “Pra quê?”, era o que Margarida respondia diante da ansiedade dos parentes e amigos. Ela passou a entender porquê as gestantes dizem que o importante é que a criança nasça com saúde. Queria seu bebê respirando e depois sorrindo. Os detalhes, ah, esses viriam com o tempo e o maior desejo de Margarida era poder observar essas descobertas.
Os dois montaram o berço e a cômoda. Margarida costurou a cortina e o marido deixou a parede amarela, tão clarinha quanto um raio de sol no inverno. Depois do jantar, os dois passavam uns tantos minutos olhando para as paredes e para o berço, cada um guardando seus próprios segredos.
Com quarenta semanas de gestação, o médico sugeriu uma cesárea. Margarida não entendia essa interferência. “Vai sair, ele vai sair”. Foi depois de um almoço na casa da mãe que Margarida sentiu uma cólica forte. Que aumentou. E aumentou mais. Uma dor assim, só podia ser a vida querendo romper. O marido não conseguia colocar a chave no contato, foi o pai quem a levou para a maternidade, o marido segurando sua mão. Margarida respirava.
Um grito saído de um fundo que Margarida não sabia existir e a vida rebentou, pequena e luminosa, forte e decidida. Um clarão, um estrondo. Deus. Então era isso. É para isso que vivemos? É esse o grande mistério da vida? Deus falava com ela por meio do choro de uma criança. A vida fazia sentido. “É uma menina”. Onde estavam os olhos de catarata?
Nos seus braços, Margarida encontrou o que nem sabia que procurava. Deus pode ter nos inventado, mas não viu nenhuma pessoinha sair de suas entranhas. O mundo ficou pequeno. Aquele momento era o epítome da vida humana.
A menina mantinha os olhinhos fechados e não chorava. Era a mais bela criatura que Margarida já havia visto em toda a natureza, mais bonita até do que os olhos das onças que admirava desde criança. Mais arrebatadora do que qualquer poesia já escrita. Mais nobre do que a arte. Mais encantadora do que as manhãs de outono no parque. Mais entorpecente do que uma taça de vinho. Mais cheirosa do que perfumes florais. Mais brilhante do que uma estrela que apelidou de “minha”. Nomeou-a Jasmim. Uma beleza assim só pode receber um nome de flor.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
22 de Novembro de 2011.
Na feira livre da praça hoje cedo:
- Olha lá, minha senhora! Comprando nessa barraca você ajuda as Casas André Luiz. Eu sou o André, ele é o Luiz.
- Olha lá, minha senhora! Comprando nessa barraca você ajuda as Casas André Luiz. Eu sou o André, ele é o Luiz.
Notas no fim de um dia
O café ao lado do meu escritório é o máximo. O café em si é ótimo e quando eu peço um carioca eles me dão um expresso com uma chaleirinha com água quente que é um charme. O pão de queijo, os lanches e os bolos são uma delícia. E o melhor desse café: os funcionários. São descontraídos e educados. Quando eu peço café para viagem eles preparam no maior capricho. E quando a gente dá caixinha, eles gritam em coro: "obrigado". Alegram o meu dia.
Ah, o ascensorista do meu prédio também é muito bacana. Fico feliz quando vejo que é ele quem vai me guiar até o terceiro andar (não, eu desço pela escada).
Ah, o ascensorista do meu prédio também é muito bacana. Fico feliz quando vejo que é ele quem vai me guiar até o terceiro andar (não, eu desço pela escada).
Da dificuldade de se educar um filho
1. O melhor aluno da escola queria estudar Engenharia na USP e foi, mas demorou mais tempo do que os outros alunos para se formar, pois as drogas e as festas descobertas na faculdade lhe tomaram uns dois anos.
2. A melhor aluna da classe estudou desde criança para ser médica e passou no Vestibular de uma excelente universidade pública, mas morreu no final do quinto ano da faculdade.
3. O maconheiro queria fazer esses cursos de bicho-grilo, claro, e fez. Tornou-se professor do Ensino Médio, depois da própria universidade onde estudou, depois casou e abriu uma empresa de consultoria e hoje está rico e feliz com seu trabalho.
4. A aluna média mas extremamente responsável e preocupada com o que pensam dela começou uma faculdade e largou, terminou duas e pensa em fazer a terceira, mas não sabe bem qual.
5. O garoto que só ia bem nas aulas de Educação Física não virou atleta, mas se apaixonou e foi trabalhar para pedir a namorada em casamento. Hoje sustenta a família com sua pequena empresa.
6. O bagunceiro que foi expulso de duas escolas um dia resolveu estudar para o vestibular de Medicina e fez dois anos de cursinho. A notícia de que havia sido aprovado numa faculdade pública chegou quinze dias depois da sua morte.
7. O menino que queria ser executivo e um dia presidente de uma empresa multinacional fez faculdade de engenharia, especialização em administração e MBA e hoje, tão novinho, já é diretor da multinacional em que escolheu trabalhar.
2. A melhor aluna da classe estudou desde criança para ser médica e passou no Vestibular de uma excelente universidade pública, mas morreu no final do quinto ano da faculdade.
3. O maconheiro queria fazer esses cursos de bicho-grilo, claro, e fez. Tornou-se professor do Ensino Médio, depois da própria universidade onde estudou, depois casou e abriu uma empresa de consultoria e hoje está rico e feliz com seu trabalho.
4. A aluna média mas extremamente responsável e preocupada com o que pensam dela começou uma faculdade e largou, terminou duas e pensa em fazer a terceira, mas não sabe bem qual.
5. O garoto que só ia bem nas aulas de Educação Física não virou atleta, mas se apaixonou e foi trabalhar para pedir a namorada em casamento. Hoje sustenta a família com sua pequena empresa.
6. O bagunceiro que foi expulso de duas escolas um dia resolveu estudar para o vestibular de Medicina e fez dois anos de cursinho. A notícia de que havia sido aprovado numa faculdade pública chegou quinze dias depois da sua morte.
7. O menino que queria ser executivo e um dia presidente de uma empresa multinacional fez faculdade de engenharia, especialização em administração e MBA e hoje, tão novinho, já é diretor da multinacional em que escolheu trabalhar.
sábado, 19 de novembro de 2011
19 de Novembro de 2011
- Eu quero cancelar o serviço.
- Qual seria o motivo?
- Bom... eu estou sem sinal há mais de uma semana. Entrei em contato com você, que até foram muito gentis em um primeiro momento. Agendaram para a assistência técnica vir resolver o problema. Eu acordei cedo, deixei de ficar com a minha mãe no hospital, fiquei plantada como uma palhaça o dia todo, e o técnico não apareceu. Quando entrei em contato com vocês me informaram que o técnico havia resolvido mudar o dia da visita. Sem me avisar! Para um dia que não seria permitido entrar no meu condomínio. Depois de inúmeras solicitações e ligações um atendente disse que resolveria a situação e ficou de me ligar em 10 minutos. Eu estou até agora esperando, então resolvi mudar para o concorrente. Por isso.
- (levantando a voz e transparecendo bastante impaciência) A Senhora veja bem, a assistência técnica é terceirizada e a gente não tem nada a ver com alteração da visita...
- Sinceramente, não me interessa a logistica interna de vocês. Eu quero cancelar o serviço.
- (mais exaltado) Ah! Então só a senhora fala, e eu não posso falar?
- Eu não estou pedindo explicações. Eu quero apenas cancelar o serviço.
- (tom sarcástico) Você é quem sabe... Qual endereço devo mandar o boleto de multa?
- Multa? Como assim multa?
- (rindo) Ah! Agora a senhora quer conversar! Antes não queria, agora eu tenho de explicar?
- Tem sim senhor! Eu não quero que o senhor me convença a não cancelar o serviço, mas o senhor tem de me explicar porque e o que está me cobrando para cancelar.
- (sarcástico) Será cobrada uma multa de fidelidade proporcional no valor de R$300.
- (indignada) Eu não vou pagar isso! Fidelidade de quê? De TV à cabo?
- (gritando) Olha, minha senhora! Eu vou mandar o boleto, se a senhora vai pagar ou não é problema seu. Eu não vou deixar de te cobrar a multa porque você está me ameaçando.
- Eu não estou ameaçando nada. Só acho que não tem propósito nenhum cobrar essa multa. Vocês não me ofereceram nenhuma exclusividade por ela.
- (gritando ainda mais) Está ameaçando! Está ameaçando sim!
- Você jura para mim que esse é o seu protocolo de atendimento? Que bater boca com o cliente que quer cancelar a conta faz parte do protocolo de atendimento? Jura mesmo que vai ficar batendo boca comigo?
- (cínico) Alô... Alô... Não estou ouvindo a senhora....
- Ok, faz o seguinte. Manda o boleto, mando o que for. Só quero me ver livre da SKY o mais rápido possível!
- Qual seria o motivo?
- Bom... eu estou sem sinal há mais de uma semana. Entrei em contato com você, que até foram muito gentis em um primeiro momento. Agendaram para a assistência técnica vir resolver o problema. Eu acordei cedo, deixei de ficar com a minha mãe no hospital, fiquei plantada como uma palhaça o dia todo, e o técnico não apareceu. Quando entrei em contato com vocês me informaram que o técnico havia resolvido mudar o dia da visita. Sem me avisar! Para um dia que não seria permitido entrar no meu condomínio. Depois de inúmeras solicitações e ligações um atendente disse que resolveria a situação e ficou de me ligar em 10 minutos. Eu estou até agora esperando, então resolvi mudar para o concorrente. Por isso.
- (levantando a voz e transparecendo bastante impaciência) A Senhora veja bem, a assistência técnica é terceirizada e a gente não tem nada a ver com alteração da visita...
- Sinceramente, não me interessa a logistica interna de vocês. Eu quero cancelar o serviço.
- (mais exaltado) Ah! Então só a senhora fala, e eu não posso falar?
- Eu não estou pedindo explicações. Eu quero apenas cancelar o serviço.
- (tom sarcástico) Você é quem sabe... Qual endereço devo mandar o boleto de multa?
- Multa? Como assim multa?
- (rindo) Ah! Agora a senhora quer conversar! Antes não queria, agora eu tenho de explicar?
- Tem sim senhor! Eu não quero que o senhor me convença a não cancelar o serviço, mas o senhor tem de me explicar porque e o que está me cobrando para cancelar.
- (sarcástico) Será cobrada uma multa de fidelidade proporcional no valor de R$300.
- (indignada) Eu não vou pagar isso! Fidelidade de quê? De TV à cabo?
- (gritando) Olha, minha senhora! Eu vou mandar o boleto, se a senhora vai pagar ou não é problema seu. Eu não vou deixar de te cobrar a multa porque você está me ameaçando.
- Eu não estou ameaçando nada. Só acho que não tem propósito nenhum cobrar essa multa. Vocês não me ofereceram nenhuma exclusividade por ela.
- (gritando ainda mais) Está ameaçando! Está ameaçando sim!
- Você jura para mim que esse é o seu protocolo de atendimento? Que bater boca com o cliente que quer cancelar a conta faz parte do protocolo de atendimento? Jura mesmo que vai ficar batendo boca comigo?
- (cínico) Alô... Alô... Não estou ouvindo a senhora....
- Ok, faz o seguinte. Manda o boleto, mando o que for. Só quero me ver livre da SKY o mais rápido possível!
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Encontros
Chile, Argentina, Venezuela e Brasil encontraram-se para comer camarão na moranga - oferecido e feito pela Venezuela para fazer uma festa de despedida para Argentina, que está de mudança para o futuro reino de Kate e William.
Na verdade, somente tres puderam degustar a iguaria, pois Chile marcava sua presença de maneira virtual, via Skype, pois já retornou para a terra natal de seu marido Suiça, levando, obviamente, seus filhos Suiça Jr e Brasilzinho.
Este encontro, não era o primeiro e muito provavelmente não será o último deles. Mas foi único.
Depois de quatro anos de convivencia intensa, cada um dos presentes estava começando a trilhar um caminho diverso daquele que, como já dito, compartilharam nos últimos quatro anos.
Chile foi falar francês...
Argentina vai aprimorar seu inglês...
Venezuela busca carteira assinada...
Brasil virou avó e vai escrever...
E a saudade vai apertar. Ô se vai...
Na verdade, somente tres puderam degustar a iguaria, pois Chile marcava sua presença de maneira virtual, via Skype, pois já retornou para a terra natal de seu marido Suiça, levando, obviamente, seus filhos Suiça Jr e Brasilzinho.
Este encontro, não era o primeiro e muito provavelmente não será o último deles. Mas foi único.
Depois de quatro anos de convivencia intensa, cada um dos presentes estava começando a trilhar um caminho diverso daquele que, como já dito, compartilharam nos últimos quatro anos.
Chile foi falar francês...
Argentina vai aprimorar seu inglês...
Venezuela busca carteira assinada...
Brasil virou avó e vai escrever...
E a saudade vai apertar. Ô se vai...
Não atirem no humorista. FolhaSP 18/11/2011.
TENDÊNCIAS/DEBATES
Não atirem no humorista
EDUARDO MUYLAERT
O humor é livre no Brasil. Sua dignidade constitucional foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal como parte da liberdade de expressão e de criação artística.
O direito ao sarcasmo foi garantido na chamada "Adin do Humor", relatada pelo ministro Ayres Britto. A superada Lei de Imprensa já não tinha mais eficácia. A liminar de 2010 veio suspender regra da lei eleitoral que cerceava pilhérias envolvendo candidatos.
"Nós vamos liberar o humor", diz o ministro Ricardo Lewandowski. "Mas vedar o humor? Isso é uma piada", lança o ministro Peluso.
O presidente do STF já julgara, no Tribunal de Justiça paulista, que não se pode reprimir aos humoristas profissionais e à imprensa, ainda quando demasiadas na forma e cáusticas no conteúdo, as expressões artísticas sob as quais exercitam o direito da crítica.
Decorre da liberdade constitucional do humor que eventual excesso é preferível a qualquer censura ou repressão, pois é próprio do humor o exagero, a hipérbole. E o simples fato de alguém eventualmente se sentir ferido não pode restringir a atividade, dada a índole subjetiva das reações individuais.
Muitos objetam com os possíveis excessos, mas a jurisprudência se inclina claramente pela liberdade. Para o STJ, não cabe aos tribunais dizer se o humor praticado é popular ou inteligente, de bom ou de mau gosto, classificação considerada discriminatória e odiosa no voto da ministra Nancy Andrighi. Só a crítica pode avaliar o humor, reconhecido como atividade artística.
As pilhérias envolvendo políticos, policiais, jogadores de futebol, atrizes, entre outros tantos, revelam que o tempo da censura está ultrapassado. Até mesmo a figura do presidente da República tem sido objeto de humor.
A liberdade de expressão incomoda, e sempre houve tentativas de cercear sua atividade.
Quem não se lembra da perseguição aos que ironizavam a ditadura? E das ameaças aos que brincaram com o profeta ou com a religião?
Todas as vezes em que a sociedade optou pela repressão, escreveu páginas trágicas. Nova York pediu tardiamente desculpas pela prisão de Lenny Bruce, comediante cujo humor não tinha sequer a ousadia da comédia das noites de sábado.
A liberdade é essencial ao humor. É próprio do humor o contrassenso, o absurdo, o contrário de tudo que é tido como normal. Parte da graça de um comediante, ensina um manual, é que pode dizer coisas que uma pessoa normal não pode ou não quer dizer.
A crítica, a discussão na imprensa e a opinião pública é que poderão servir de parâmetro para essa nova geração de humoristas, que, às vezes, exageram ao brincar com fatos históricos ou valores sobre os quais não pararam para refletir.
A questão da liberdade do humor é séria. Não se pode levar a sério o que é mero humor, produzido num contexto de humor, com a intenção apenas de fazer rir. Essa liberdade a Constituição assegura e nossos tribunais garantem.
Não atirem no humorista
EDUARDO MUYLAERT
O humor é livre no Brasil. Sua dignidade constitucional foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal como parte da liberdade de expressão e de criação artística.
O direito ao sarcasmo foi garantido na chamada "Adin do Humor", relatada pelo ministro Ayres Britto. A superada Lei de Imprensa já não tinha mais eficácia. A liminar de 2010 veio suspender regra da lei eleitoral que cerceava pilhérias envolvendo candidatos.
"Nós vamos liberar o humor", diz o ministro Ricardo Lewandowski. "Mas vedar o humor? Isso é uma piada", lança o ministro Peluso.
O presidente do STF já julgara, no Tribunal de Justiça paulista, que não se pode reprimir aos humoristas profissionais e à imprensa, ainda quando demasiadas na forma e cáusticas no conteúdo, as expressões artísticas sob as quais exercitam o direito da crítica.
Decorre da liberdade constitucional do humor que eventual excesso é preferível a qualquer censura ou repressão, pois é próprio do humor o exagero, a hipérbole. E o simples fato de alguém eventualmente se sentir ferido não pode restringir a atividade, dada a índole subjetiva das reações individuais.
Muitos objetam com os possíveis excessos, mas a jurisprudência se inclina claramente pela liberdade. Para o STJ, não cabe aos tribunais dizer se o humor praticado é popular ou inteligente, de bom ou de mau gosto, classificação considerada discriminatória e odiosa no voto da ministra Nancy Andrighi. Só a crítica pode avaliar o humor, reconhecido como atividade artística.
As pilhérias envolvendo políticos, policiais, jogadores de futebol, atrizes, entre outros tantos, revelam que o tempo da censura está ultrapassado. Até mesmo a figura do presidente da República tem sido objeto de humor.
A liberdade de expressão incomoda, e sempre houve tentativas de cercear sua atividade.
Quem não se lembra da perseguição aos que ironizavam a ditadura? E das ameaças aos que brincaram com o profeta ou com a religião?
Todas as vezes em que a sociedade optou pela repressão, escreveu páginas trágicas. Nova York pediu tardiamente desculpas pela prisão de Lenny Bruce, comediante cujo humor não tinha sequer a ousadia da comédia das noites de sábado.
A liberdade é essencial ao humor. É próprio do humor o contrassenso, o absurdo, o contrário de tudo que é tido como normal. Parte da graça de um comediante, ensina um manual, é que pode dizer coisas que uma pessoa normal não pode ou não quer dizer.
A crítica, a discussão na imprensa e a opinião pública é que poderão servir de parâmetro para essa nova geração de humoristas, que, às vezes, exageram ao brincar com fatos históricos ou valores sobre os quais não pararam para refletir.
A questão da liberdade do humor é séria. Não se pode levar a sério o que é mero humor, produzido num contexto de humor, com a intenção apenas de fazer rir. Essa liberdade a Constituição assegura e nossos tribunais garantem.
17 de Novembro de 2011. (Ontem)
Na estação de Pirituba fizeram uma pintura de Michael Jackson menino. Duas jovens negras, muito bonitas e produzidas, estão vestidas para um inverno polar. Um ambulante passa vendendo chocolate. Sulflair à R$2. Um homem de meia idade está com uma sacola preta cheia de mercadorias chinesas para vender. Ele checa uma por uma, e abre as embalagens experimentando os produtos. Palhetas para limpador de parabrisas. Chaveiros de esqueletos fluorescentes nas cores laranja, amarelo e verde-limão. Dois ambulantes passam vendendo amendoins e chicletes. R$1. Eles se vão. Todos no vagão mastigam. O homem de meia idade mostra para um senhor careca de orelhas grandes os produtos. O senhor parece o Mr. Magoo. O homem de meia idade puxa uma cordinha de um chaveiro de caveira amarelo. A caveira bate o maxilar frenéticamente. O adolescente gordinho que está em pé na porta do trem se vira interessado no barulho. Uma mulher vestida com roupas esportivas de marca dos pés à cabeça insiste em ficar de pé no meio do vagão, embora haja assentos vagos. O homem de meia idade se levanta e se despede do senhor orelhudo. O senhor orelhudo possui uma aparência bastante digna. O homem de meia idade desembarca na estação Vila Clarice. A mulher de roupas esportivas também. O senhor orelhudo de aparência digna se ajeita no assento, ocupando dois lugares. Ele aperta uma narina com um dedo e assoa o nariz no ar. Toda sua dignidade se vai no assoalho do trem. A jovem com medo do frio polar chora.
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