... então ele chegou: é a cara do pai, tem o jeito maroto da mãe e um olhar de quem já nasceu sabendo a herança que carrega...
É impressionante!
Mal teve tempo de sair da barriga...
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
espelho
... porque sou um arco-íris ao contrário (como a foto que não consigo postar), brotando da terra em direção ao céu, a foto-legenda apropriada para a minha fotografia seria então: "muito prazer, estou a caminho!"
... e, depois, se não der tempo de chegar, já valeu pela metade percorrida - porque sempre é melhor do que nada...
Na vida, tenho visto de observar em silêncio, a gente deve querer tudo, sim, mas também tem que prestar muita atenção: volta e meia aquela bússola que não aceita o nosso controle sinaliza o lado oposto ao nosso desejo - e mesmo nesses lugares invertidos pode haver um paraíso; se não o que buscamos, talvez um até melhor...
... e, depois, se não der tempo de chegar, já valeu pela metade percorrida - porque sempre é melhor do que nada...
Na vida, tenho visto de observar em silêncio, a gente deve querer tudo, sim, mas também tem que prestar muita atenção: volta e meia aquela bússola que não aceita o nosso controle sinaliza o lado oposto ao nosso desejo - e mesmo nesses lugares invertidos pode haver um paraíso; se não o que buscamos, talvez um até melhor...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
ces't la vie
... pertinho de uma nova sexta-feira, depois de muito tempo, só sei dizer que vou morrendo e aprendendo...
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
a palavra do dia é...
... avocar . v. 1 atrair: abiscoitar, aliciar, angariar, arranjar, conquistar, conseguir, granjear, seduzir, trazer; 2. arrogar; 3. chamar: convocar, invocar; 4 (re)lembrar: evocar, memorar, recordar; 5 reanimar: despertar, recuperar, revigor(iz)ar; 6 trazer: aproximar, devolver, restituir.
sábado, 27 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
terça-feira nesta vida
"Se a tua estrela não tá brilhando mais, pelo menos não apague a minha."
(caminhãozinho-baú cometendo barbaridades no trânsito de Pinheiros, às 8h20 da manhã)
"Meu alternador pifou. Hoje não sirvo nem pra ser guinchado."
(hora do almoço na cafeteria da Livraria Cultura, no shopping Market Place)
"Tou me virando mais que bolacha em boca de velho"
(de um amigo gaúcho, atualmente desempregado, num s.o.s básico por e-mail)
"O médico falou que eu posso comer de tudo, é só não engolir."
(de um colega de trabalho que voltou da licença depois de seis mamárias...)
"Paciência. Só panela é que funciona sob pressão."
(eu, comigo mesma, na hora de encerrar o expediente com uma lista de pendências ainda maior do que a de ontem...)
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
infância feliz
Nunca tivemos marmelo, mas crescemos com marmelada de todas as frutas que davam no quintal: uva, pera, maçã, figo, pêssego...
O direito de raspar com o dedo as sobras do tacho era motivo de briga e separação definitiva entre irmãos. A gente pecava todos os pecados por causa da gula. Também...
Hora do lanche: sobre uma grossa fatia de pão caseiro ainda quentinho e recém assado no forno de barro, uma generosa camada de marmelada fresquinha, recém apurada, e ainda por cima uma cobertura de nata batida - a puína, como diziam naquele dialeto misturado de alemão e italiano.
(Essa chimia devia ter umas 30 mil calorias, e justamente no verão, mas é que naquele tempo não havia frutas fora de estação).
Se lembro disso agora é só porque o frio é mestre em abrir apetites. (MZ)
O direito de raspar com o dedo as sobras do tacho era motivo de briga e separação definitiva entre irmãos. A gente pecava todos os pecados por causa da gula. Também...
Hora do lanche: sobre uma grossa fatia de pão caseiro ainda quentinho e recém assado no forno de barro, uma generosa camada de marmelada fresquinha, recém apurada, e ainda por cima uma cobertura de nata batida - a puína, como diziam naquele dialeto misturado de alemão e italiano.
(Essa chimia devia ter umas 30 mil calorias, e justamente no verão, mas é que naquele tempo não havia frutas fora de estação).
Se lembro disso agora é só porque o frio é mestre em abrir apetites. (MZ)
domingo, 21 de agosto de 2011
inventário de um domingo
9H30 - Acordo e dou bom dia para a noite: que dia cinzento!
10h00 - Depois do banho procuro um pouco de alegria:
12h00 – Fiz massa (resolvi dar um dia de folga para a dieta), arrumei a casa, tirei o lixo, alimentei as plantas e descobri poeira em todas as gavetas e armários. Vou começar uma faxina agora e amanhã dou uma advertência na Gil. Sem coragem de ligar para a Rô. Faço isso mais tarde.
16h00 – Almocei minha própria massa ligth, com tomate italiano fresco, manjericão e capuchinhas, mais um copo de vinho. Já está na hora de ligar o computador pra ver o que está acontecendo no mundo.
18h00 – Respondi e-mails, me atualizei com o noticiário disponível, e a Rô tá bem, até me fez rir dizendo que eliminou um inimigo pífio, de apenas 9mm. Então botei pra rodar novamente a Salmaso e fui chorar um rio Amazonas ali na varanda:
“Quem do mundo a mortal loucura .......... cura,
A vontade de Deus sagrada .................. agrada,
Firmar-lhe a vida em atadura................... dura.
20h00 – Incrível! O dia passou e não fiz nada! (MZ)
10h00 - Depois do banho procuro um pouco de alegria:
“Meu carnaval é bem pequenininho,
só um banquinho e um violão;
a fantasia vai no pensamento... “
Mônica Salmaso com café longo e jornal impresso, coisa boa! Daqui a pouco tenho que telefonar para a minha amiga Rô, que descobriu um câncer de mama e foi operada na quinta-feira.
12h00 – Fiz massa (resolvi dar um dia de folga para a dieta), arrumei a casa, tirei o lixo, alimentei as plantas e descobri poeira em todas as gavetas e armários. Vou começar uma faxina agora e amanhã dou uma advertência na Gil. Sem coragem de ligar para a Rô. Faço isso mais tarde.
16h00 – Almocei minha própria massa ligth, com tomate italiano fresco, manjericão e capuchinhas, mais um copo de vinho. Já está na hora de ligar o computador pra ver o que está acontecendo no mundo.18h00 – Respondi e-mails, me atualizei com o noticiário disponível, e a Rô tá bem, até me fez rir dizendo que eliminou um inimigo pífio, de apenas 9mm. Então botei pra rodar novamente a Salmaso e fui chorar um rio Amazonas ali na varanda:
“Quem do mundo a mortal loucura .......... cura,
A vontade de Deus sagrada .................. agrada,
Firmar-lhe a vida em atadura................... dura.
sábado, 20 de agosto de 2011
saudade
O frio depois da neve era alegre porque o sol tirava as pessoas de casa e na rua elas aproveitavam para matar a saudade da vida. O mudinho aparecia serelepe, o pobrezinho, um brinquedo na mão das crianças se o vovô não estivesse por perto para dar siso na gente. Meu avô era o padrinho porque lá em Charrua foi só ele que se preocupou com os filhos nascidos com defeito de um casamento entre primos, daí que aqueles estranhos eram quase parentes. Então, a gente trocava a brincadeira quando o vovô aparecia, mas andar de bicicleta na neve derretida também não prestava. Tinha criança que se machucava de sair sangue e as mães gritavam chamando todo mundo para dentro das casas. Já era hora de aquecer o frio com outras coisas. E eu sempre pedia chocolate. (MZ)
(texto revisado, que nasceu do exercício feito em aula hoje, no "Cinto Contos"; a Noemi analisou o conto "Sorôco, sua mãe, sua filha" do Guimarães Rosa)
(texto revisado, que nasceu do exercício feito em aula hoje, no "Cinto Contos"; a Noemi analisou o conto "Sorôco, sua mãe, sua filha" do Guimarães Rosa)
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
desses dias...
1º DIA:
O professor universitário ao teleone não pode falar comigo agora porque está administrando uma aula na faculdade. Mas como sou educado, eu ligo pra você amanhã, tá?
2º DIA:
Tá, eu espero.
E acabo levando uma bronca totalmente fora da casinha quando a conversa cai por acaso num serviço que eu pago caro e, por falta de tempo, não usufruo plenamente.
Ele acha um absurdo.
Pô!
Tinha que usar até o toco pra ser sustentável de verdade, você não acha?
3º DIA:
O que era pra ser bis,
deixei desmanchar no ar...
O professor universitário ao teleone não pode falar comigo agora porque está administrando uma aula na faculdade. Mas como sou educado, eu ligo pra você amanhã, tá?
2º DIA:
Tá, eu espero.
E acabo levando uma bronca totalmente fora da casinha quando a conversa cai por acaso num serviço que eu pago caro e, por falta de tempo, não usufruo plenamente.
Ele acha um absurdo.
Pô!
Tinha que usar até o toco pra ser sustentável de verdade, você não acha?
3º DIA:
O que era pra ser bis,
deixei desmanchar no ar...
terça-feira, 16 de agosto de 2011
passado
No dentista hoje cedo lembrei da mãe. Estranho, porque é um lugar onde nunca estivemos juntas. A memória no entanto acordou na sala de espera e compreendi finalmente que seu estranho jeito de amar, nos privando de liberdade, tinha a ver com seu medo diante da vida. Viver não passava de um investimento a longo prazo, único jeito de se prevenir de qualquer culpa depois e, enquanto isso, sempre tínhamos o suficiente de sofrimento para crescer sabendo enfrentar o pior, porque seria inevitável. E assim foi. (MZ)
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Iniciativa
Comecei a escrever um dicionário de palavras doces. Anotando uma por dia daqui a um ano terei 365 motivos para não perder a esperança. Já é alguma coisa. Bem melhor do que não fazer nada. (MZ)
degustar . v. 1 fig. apreciar: comprazer-se, deleitar-se, deliciar-se; 2 provar: experimentar, saborear.
degustar . v. 1 fig. apreciar: comprazer-se, deleitar-se, deliciar-se; 2 provar: experimentar, saborear.
domingo, 14 de agosto de 2011
Desejos
Na cidade maravilhosa o taxista gordinho aparenta ser mais velho do que revelou depois. Usa boina, cachecol e paletó de tweed porque é inverno e lá fora faz um frio de rachar: 19 graus! Ainda que fosse Buenos Aires com 10 graus seria um exagero de melancolia, mas diante do meu sotaque de fora ele aproveita a platéia e começa dizendo que o Rio de Janeiro não é mais o mesmo. Vivo aqui há 53 anos e primeiro liberaram homem com homem, depois mulher com mulher, e agora é a maconha. A droga é que manda. Vai lá no centro pra ver? ! Os camelô gritando “1 por 5!”, “3 por 10!”, pensa que é balinha de menta como antigamente? Tudo droga! Pura pedra. Não tem mais jeito. Eu queria viver em outro lugar. (MZ)
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