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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

infância feliz

Nunca tivemos marmelo, mas crescemos com marmelada de todas as frutas que davam no quintal: uva, pera, maçã, figo, pêssego...
O direito de raspar com o dedo as sobras do tacho era motivo de briga e separação definitiva entre irmãos. A gente pecava todos os pecados por causa da gula. Também...
Hora do lanche: sobre uma grossa fatia de pão caseiro ainda quentinho e recém assado no forno de barro, uma generosa camada de marmelada fresquinha, recém apurada, e ainda por cima uma cobertura de nata batida - a puína, como diziam naquele dialeto misturado de alemão e italiano.
(Essa chimia devia ter umas 30 mil calorias, e justamente no verão, mas é que naquele tempo não havia frutas fora de estação).
Se lembro disso agora é só porque o frio é mestre em abrir apetites. (MZ)

sábado, 20 de agosto de 2011

saudade

O frio depois da neve era alegre porque o sol tirava as pessoas de casa e na rua elas aproveitavam para matar a saudade da vida. O mudinho aparecia serelepe, o pobrezinho, um brinquedo na mão das crianças se o vovô não estivesse por perto para dar siso na gente. Meu avô era o padrinho porque lá em Charrua foi só ele que se preocupou com os filhos nascidos com defeito de um casamento entre primos, daí que aqueles estranhos eram quase parentes. Então, a gente trocava a brincadeira quando o vovô aparecia, mas andar de bicicleta na neve derretida também não prestava. Tinha criança que se machucava de sair sangue e as mães gritavam chamando todo mundo para dentro das casas. Já era hora de aquecer o frio com outras coisas. E eu sempre pedia chocolate. (MZ)

(texto revisado, que nasceu do exercício feito em aula hoje, no "Cinto Contos"; a Noemi analisou o conto "Sorôco, sua mãe, sua filha" do Guimarães Rosa)    

domingo, 14 de agosto de 2011

Conversa de Chafariz

Ele perguntou porque o bairro não tinha cinema... ela respondeu que quando criança tinham vários...um com céu azul e o relevo de dois elegantes galgos brancos ainda dormem na memória...